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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Em “The Fool’s Path”, Fabiano Negri traz riffs grudentos e refrões que fazem você cantar junto


Os verdadeiros apreciadores sabem: disco é algo que começa a ser curtido muito antes de se apertar a tecla “play”. A capa e até o próprio nome, se bem sacados, já começam a instigar o ouvinte antes que qualquer nota musical seja ouvida.

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É o caso de “The Fool’s Path”, mais novo álbum solo do compositor, produtor, vocalista e multi-instrumentista Fabiano Negri. O título (algo como “o caminho do tolo”) e a capa, de autoria de Emerson Penerari e que mostra alguém aparentemente preso no topo de um penhasco, já colocam o público a pensar sobre o que tem ali. “O ‘tolo’ tem dois significados”, explica o autor. “Fala do tolo que insistiu 25 anos numa missão praticamente impossível e o tolo da carta do tarô, que indica uma guinada na vida, abandonando um caminho para recomeçar de forma diferente, mas sem saber se é certo ou errado.
O tolo, no caso, é o próprio músico. Conceitual, “The Fool’s Path” mostra-se uma prefeita reflexão sobre a carreira do artista independente que, a despeito do talento que possua, tem que brigar contra um leão por dia – e nem sempre vence a luta. Isso fica claro nas letras, todas fortes, às vezes até pesadas, e que inevitavelmente levam à reflexão (apesar de muitas delas poderem ter outras interpretações, como, por exemplo, o momento que vivemos).

Neste que é seu trigésimo trabalho em 25 anos de trajetória, na qual lançou discos solo e com Rei Lagarto, Dusty Old Fingers e Unsuspected Soul Band, Fabiano apostou naquela fórmula infalível: riffs grudentos e refrões que fazem você cantar junto na primeira ouvida são a tônica do disco.
Gravado no Estúdio Minster e com produção do próprio Fabiano, o álbum traz Cesar Pinheiro na bateria e Ricardo Palma no baixo – Ricardo também responde pela mixagem e masterização. Detalhe importante, “The Fool’s Path” não vão estar na íntegra nas plataformas de streaming, já que apenas uma versão reduzida estará disponível lá. Para conferir o disco na íntegra,  pré-venda da versão física já está no ar nas redes sociais de Fabiano.

Valendo-se de muito teclado, piano principalmente, Fabiano criou uma obra variada e consistente. Logo após a intro “Voiceless”, os fãs do finado Rei Lagarto vão matar as saudades da banda, já que a segunda faixa (e primeiro single) “The Wicked” lembra o hard rock do quinteto. Com a guitarra no comando, “The Last Man on Earth” tem riff grudento e também faz referência à antiga banda de Fabiano.

A viagem aos anos 70 se completa em “Lies Behind the Mask”, pesada e com o teclado dando as ordens, enquanto “Blind Superman” é uma balada pesada e de letra forte. Quer mais peso? Ouça “No One Gets Here Alive”, em que Cesar Pinheiro mostra uma perfomance digno de elogios.


O segundo single já lançado é “Changing Times”, que tem linha melódica e estrutura que provam o quanto Fabiano é influenciado por Elton John. Cesar mais uma vez é o destaque na intrincada “The Fool’s Path”, enquanto “Cursed Artist” tem alguns toques de progressivo e letra que vale uma conferida mais atenta. Por fim, “Dying City” é mais um tema pesado, que remete ao Rei Lagarto e tem refrão que fica na sua cabeça queira você ou não.

É absolutamente natural que após ouvir um disco bem composto, bem gravado e bem executado como este a gente fique buscando as referências e influências em que aquele artista bebeu. Dá para fazer isso com facilidade aqui. Mas não é o caso. “The Fool’s Path” é um álbum em que Fabiano Negri mostra a personalidade musical que formou ao longo desses 25 anos de carreira – e, por isso mesmo, é um disco único.

Antonio Carlos Monteiro
Jornalista, músico e crítico musical

Contatos:
E-mail: fabianonegri@yahoo.com.br
Telefone: (19) 99994-1769
Site: www.fabianonegri.com
Facebook: https://www.facebook.com/fabianonegrisolo/

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Nightwish: "Human :||: Nature" traduz toda a riqueza da mente criativa de Tuomas Holopainen


Evolução, Planeta Terra, Natureza, Ser Humano. Todos estes, temas individuais e entremesclados, que fascinam Tuomas Holopainen, possuinte da mente pensante, propulsora e compositora do Nightwish.

Nightwish: 7 curiosidades sobre Floor Jansen (por ela mesma)

Após o profuso evolucionista álbum "Endless Forms Most Beautiful" (2015), onde mergulhado na obra literária do cientista darwinista bretão Richard Dawkins, e, notoriamente permear o prog rock dentro da atmosfera musical do Nightwish, Holopainen, agora empodera-se com tudo o que tem direito nas características pré-descritas para tecer o novíssimo "Human :||: Nature", 9º álbum de estúdio de sua nórdica banda, cada vez mais agigantada, que chegara em dez de abril último, num momento onde as questões biológicas x humanidade estão apicais, devido ao cotidiano viral-pandêmico em que vivemos.

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Subdividido em duas partes, o trabalho traz em sua primeira, 9 canções típicas da banda, mas já temperada no conceito proposto a partir do álbum antecessor, contendo maiores elaborações harmônicas e de arranjos, flertando a todo momento com o rock progressivo e o folk-erudito (que ótimo). Parte essa a qual discorrei melhor um pouco adiante.

Nightwish no Brasil: devido ao COVID-19, shows foram adiados para janeiro de 2021

Na segunda parte, o folk-erudito, com nuances celtas torna-se mais intenso e totalitário, na canção única deste segmento, "All The Works Of Nature Which Adorn The World" segmentada em oito partes, todas elas instrumentais e ambientais, vez ou outra contendo vocalizaçoes da frontwoman Floor Jansen.

Este tipo de sonoridade da 2ª parte desta obra não chega a ser uma surpresa, se for considerado que Tuomas sempre a desejara, desde os tempos embrionários do grupo, quando mudara de ideia após se deparar com o tamanho potencial vocal da cantora original, Tarja Turunen. Quem conhece seu trabalho paralelo, o AURI, onde ele, o multi-instrumentista Troy Donocley e sua esposa e cantora, Johanna Kurkela navegam por uma sonoridade semelhante, também não se espantara.

Mas agora voltemos à majestosa 1ª parte do disco, onde nove estupendas e fascinantes canções contemplam os ouvidos do apreciador.

"Music" abre o álbum com direito à intro prog tibal climática, desembocando numa belíssima canção evocada pelos sintetizadores de Tuomas e o canto coralístico que a entregam para os primeiros versos cantados pela absoluta Floor Jansen, que no refrão, conclama todo a banda para tocar, com direito ao solo melódico do guitarrista Emppu Vuoriinen.

"Noise" vem a seguir trazendo o selo padrão Nightwish, com aquela formatação conhecida pelos fãs, presente em canções de todos os álbuns da banda, "as de trabalho", tendo inclusive sendo lançada anteriormente como single e ganhando clipe próprio. O maravilhoso power-metal sinfônico, de andamento rápido e harmônico, com as imponentes bases do  teclado de Tuomas, e o refrão forte, para cantar junto e bangear a cabeça, típico do grupo.


Em "Shoemaker", Floor Jansen começa cantando, puxando o freio da cadência acelerada das canções anteriores, nesta peça esplêndida e cadenciada, onde ela divide os vocais com o multi-instrumentista e também vocalista, Troy Donocley, que fornece o seu serenado canto. As partes de Tuomas aqui também merecem todo enaltecimento. Uma das melhores canções da carreira da banda.

A bateria do estreante em estúdio com o Nightwish, Kai Hahto, ritma a aveludada e tenra canção "Harvest", que recebera os vocais principais de Troy, que canta em tom macio, tornando a música uma delícia de se apreciar e cantar junto, além de brindar o ouvinte com um belo solo de sua gaita irlandesa.

As coisas voltam a ficar rápidas e possantes em "Pan", embora aqui, miss Jansen a entoe maviosamente, bem como as teclas de Tuomas parecem pingos sutis na melodia, marcada pela interessante linha de baixo de Marko Hietala. E o coral a alavanca e a torna pujante novamente.

A linda "How's The Heart?" se inicia com o tripé Troy, Floor e Marko funcionando nela perfeitamente. O primeiro com sua ímpar gaita irlandesa novamente, a segunda com sua afinadíssima voz e o terceiro com sua precisa marcação nas quatro cordas. Tudo se completa com um refrão que pega o ouvinte.

A paz pode ser encontrada nos primeiros versos entoados por Floor Jansen na tranquila linha melódica de "Procession", canção de beleza lírico atmosférica em canto suave irrompido pela guitarra de Emppu e a bateria de Kai.

A presença de povos primitivos é transmutada em canção erudito-rústica em "Tribal", uma espécie de "Roots"* do Nightwish.

O baixista e vocalista Marko Hietala tem seu grande momento em "Human :||: Nature" na faixa que encerra o primeiro disco, "Endlessness", onde elegantemente destila todo o seu poder de tenor frente às bases harmônicas oriundas das teclas de Tuomas Holopainen.

Concluindo, "Human :||: Nature" traduz toda a riqueza da mente criativa de Tuomas Holopainen, que só fora possível se realizar, por este estar cercado de virtuosíssimos executores que o cercam em todos os instrumentos e aos microfones, contando ele com o canto de 3 vocalistas brilhantes.

E pensar que a turnê de divulgação desta belíssima obra estaria passando por terras brasileiras neste fim de semana próximo, com um show em São Paulo e outro no Rio. Ambos adiados para janeiro de 2021, em virtude da pandemia do COVID-19 (Coronavírus). É de se lamentar e muito, mas tudo passará e o Brasil e o mundo enfim poderão assistir as canções de "Human :||: Nature"executadas ao vivo nos palcos.

*"Roots" = faixa-título do álbum do Sepultura, lançado em 1996, que conta com elementos indigenas brasileiros.

Tracklist:

CD 1:

1. Music
2. Noise
3. Shoemaker
4. Harvest
5. Pan
6. How's The Heart?
7. Procession
8. Tribal
9. Endlessness

CD 2:

1. All The Works Of Nature Which Adorn The World - Vista
2. All The Works Of Nature Which Adorn The World - The Blue
3. All The Works Of Nature Which Adorn The World - The Green
4. All The Works Of Nature Which Adorn The World - Moors
5. All The Works Of Nature Which Adorn The World - Aurorae
6. All The Works Of Nature Which Adorn The World - Quiet As The Snow
7. All The Works Of Nature Which Adorn The World - Anthropocene (incl. "Hurrian Hymn To Nikkal")
8. All The Works Of Nature Which Adorn The World - Ad Astra

A Banda:

Tuomas Holopainen – teclado, piano, produção, gravação, mixagem
Emppu Vuorinen – guitarra
Marko Hietala – baixo, vocais, guitarra acústica
Troy Donockley – gaita irlandesa, apito baixo, bouzouki, bodhrán, aerofone, guitarra, vocais
Floor Jansen – vocais
Kai Hahto – bateria


sexta-feira, 20 de março de 2020

KISS: O 3° álbum, "Dressed to Kill"


"Dressed to Kill" é o terceiro álbum da banda Kiss, lançado em 19 de março de 1975.

Contando com alguns clássicos da banda como, "Rock Bottom", "C'mon and Love Me", "She", "Love Her All I Can" e a versão original do hino "Rock n Roll All Nite", inicialmente, "Dressed To Kill" não foi tao bem recebido pelo público, apesar de ser o álbum da banda com a melhor qualidade de gravação até então.


O álbum só veio chamar a atenção dos fãs, ganhando dois discos de ouro, após o enorme sucesso do álbum "Kiss Alive!", também lançado em 1975,  que popularizou a versão ao vivo de "Rock N Roll All Nite", consequentemente, chamando atenção para sua versão de estúdio em "Dressed to Kill".

o álbum segue como padrão uma das maiores características da banda, a variedade de faixas cantadas pelos seus integrantes. Nele Encontramos músicas cantadas por Paul Stanley, Gene Simmons e Peter Criss - esse último cantando a faixa "Getaway". Nessa época Ace Frehley, guitarrista solo e backing vocal da banda, ainda não protagoniza vocais em faixas.


Hoje em dia, "Rock n Roll all nite" é tocada nos fins de todos os shows, tida como um hino não só da banda, mas da história do rock n roll. Em eventos especiais como o cruzeiro anual comemorativo Kiss Kruise e os shows acústicos de Meet and Greet, é comum ouvir quase todo o álbum sendo tocado.

Por Andi Corrêa.


Tracklist:

Room Service
Two Timer
Ladies In Waiting
Getaway
Rock Bottom
C'mon And Love Me
Anything For My Baby
She
Love Her All I Can
Rock And Roll All Nite

A Banda:

Gene Simmons - Baixo, Vocal
Paul Stanley - Guitarra Base, Vocal
Ace Frehley - Guitarra Solo
Peter Criss - Bateria, Vocal


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Black Sabbath: o álbum de estreia auto-intitulado


Pelo confrade Renato Azambuja.

Pare de estragar seu toca-discos girando LPs no sentido anti-horário.

Se você deseja, e realmente tem colhões pra sentir o verdadeiro hálito do Cão queimando suas narinas, ele e sua falange infernal nos deram o ar da (des)graça há 50 anos, com o lançamento do álbum homônimo da banda Black Sabbath.

Reza a lenda que seu andamento arrastado, característico desde então a todos os clássicos do grupo, se deve à deficiência de Tony Iommi, que teve dois dedos parcialmente decepados numa prensa industrial, e aprendeu com o grande Django Reinhardt que é possível ser um ícone do instrumento mesmo sem poder contar com a integridade de todos os seus membros.

Acho que não passa de lenda, mas parece sim que o inferno é uma questão de frequência. A mínima distorção do dial pode encerrar a conexão pra sempre.

Tanto é que a capa, considerada icônica por muitos, me soa bastante cliché. Não, eu encomendaria para o trabalho nada menos que Hyeronimus Bosch. Por sorte ele nos legou sua "versão" (com desconfiadas aspas) definitiva do inferno em seu Jardim das Delícias Terrenas.

Imagem da casa usada na capa do álbum. 

Ozzy Osborne ora soa como Judas, servindo de aperitivo pro tinhoso, eternamente mastigado da cintura pra baixo no nono círculo do inferno.

Ora soa como o próprio Dante Alighieri, alertando-nos contra nós mesmos, e nisso as pequenas suítes com mudanças de andamento nos remetem às passagens pelos nove círculos. Ás vezes soa ainda como o próprio Satã, com sua risada congelante.

Muito se discute sobre a paternidade do Heavy Metal, principalmente quando o assunto é Black Sabbath.

É claro que o ritmo estava no ar, esperando a conjunção perfeita de fatores. Era possível senti-lo aqui e ali. Eu cito a guitarra em espiral de George Harrison ao final de "I Want You (She´s So Heavy)", em "Abbey Road", como um belíssimo indício.


Mas também é claro que esse tipo de discussão somente surge quando alguma banda concebe a fórmula definitiva do ritmo, e no caso do Sabbath, chega ao ponto de esgotar o assunto, fazendo com que 99,9% (666 de ponta cabeça) das tentativas de segui-los soe miseravelmente afetado.


Tracklist:

1. "Black Sabbath"
2. "The Wizard"
3. "Behind the Wall of Sleep"
4. "N.I.B."
5. "Evil Woman"
6. "Sleeping Village"
7. "Warning"

A Banda:

Tony Iommi - guitarra
Geezer Butler - baixo
Ozzy Osbourne - vocais, gaita
Bill Ward - bateria



segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Matanza Inc. Em álbum de estreia e com formação ajustada

O QUE ACONTECE DEPOIS DA MORTE?

Em álbum de estreia e com formação ajustada, Matanza Inc persegue o universo musical e de personagens que lhe é peculiar.

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Os 20 melhores álbuns de rock e metal de 2019, segundo a Confraria Floydstock

Se o Matanza encerrou as atividades em meados do ano passado, deixando fãs inconsoláveis em concorridos shows de despedida pelo país, não demorou para a boa notícia chegar. Depois da morte, o purgatório vem em uma nova corporação, como Matanza Inc. O “Inc”, inspirado no Venom Inc., um desdobramento da banda inglesa seminal do metal extremo, que passou por uma reestruturação semelhante, vem no modo “pessoas emancipadas agindo como um corpo só”.

A vida após a morte é explicitada no álbum de estreia, batizado com o singelo título “Crônicas do Post Mortem”, e a explicação subtitulada como “Guia Para Demônios & Espíritos Obsessores”. É mais um trabalho conceitual sacado pelo guitarrista e compositor de quase toda as músicas e letras, e agora assumidamente capo da corporação, Marco Donida. Além de Maurício Nogueira (guitarra), Dony Escobar (baixo) e Jonas Cáffaro (bateria), ele tem o experiente Vital Cavalcante nos vocais.

Contemporâneo de Donida, Vital cultiva mais de duas décadas de berros, gritos e todo o tipo de cantoria na beirada dos palcos, liderando bandas como Jason (uma das atuais), Jimi James e Poindexter, onde foi revelado no início da década de 1990. Cascudo, Vital dá valiosa contribuição ao disco, em um incrível e instantâneo processo de adaptação ao modo Matanza Inc de ser.

Modo este que faz do cantor um verdadeiro intérprete da gama de personagens criada por Donida. Porque não é possível ser suave, gentil ou afável ao se falar sobre bebuns incorrigíveis, psicopatas inveterados, viciados em jogatina, traídos por mulheres más, condenados sem piedade e outros tipos azarados em cujas vidas tudo dá errado e eles nunca sabem o porquê. Cronista desse universo há mais de 20 anos, Marco Donida chega ao Matanza Inc com a pena afiada. E as guitarras também.

No primeiro single, “Seja o Que Satan Quiser”, o bebum sem saída se vê descompromissado diante do Cão no purgatório, num rock pesado com as referências que fazem parte do ambiente da banda: metal, hardcore e base country. E com aquele refrão pegajoso, outra marca das composições de Donida. Refrão que bate ponto na ótima “Tudo de Ruim Que Acontece Comigo”, um doo-wop pesadão dançante incomum ao grupo, no qual o sujeito retratado se vê injustiçado pela própria vida – maldição, crime ou castigo? -, mesmo que persiga a ruína.

A ruína também é tema do country core (invenção do próprio Marco Donida) “As Muitas Maneiras de Arruinar a Sua Vida” – “não precisa escolher uma só” -, e as referências mais explícitas ao metal extremo do disco estão em “Para o Inferno”, na qual o condenado se conforma em ir para a parte de baixo com a sensação de dever cumprido. A música tem a participação cavernosa de Vladimir Korg, vocalista do The Mist, lenda do metal nacional da qual o jovem Marco Donida era fã lá na década de 1980.

O vocalista do Dead Fish, Rodrigo Lima, outro peso pesado do barulho nacional, canta brilhantemente junto com Vital em “O Elo Mais Fraco da Corrente”, mais trabalhada no hardcore: o pobre do cidadão morre sem saber o motivo “pela evidente falta de bom senso”. Até a extrema-unção é tema, em “Péssimo Dia”, e o indelével padre é rejeitado, em música conduzida por um belo riff de guitarra, resultando em um heavy rock de sotaque setentista com peso abissal.

O terceiro convidado é Marcelo Schevano, que empresta sutis teclados em “Pode Ser Que Eu Me Atrase”, rock à Motörhead anos 70 convertido em Matanza Inc com ótimo refrão e que prevê que um notável ruim de roda pode escapar do acidente automobilístico e perder até a hora do juízo final; e a guitarra chora que é uma beleza.

Compor tantas variações sobre um mesmo tema – e o Velho Oeste só reaparece em “A Cena do Seu Enforcamento”, quando se entende que “no firmamento não há mais lugar” - não é para qualquer um. O genial Donida – que outro artista brasileiro criou um subgênero do rock mundial? - investe bastante tempo em busca de músicas que sejam ao mesmo tempo afins e distintas entre si.

Trabalhando em total solitude, leva mais ou menos um ano no desenvolvimento das ideias, e outro para chegar ao acabamento com as letras, em geral com farta riqueza vocabular, e ao conceito de cada disco. Aí, parte para o sempre impactante material visual, que ele também assina.

É quando entra a banda, que, não é nada, não é nada, já está com essa formação, à exceção do caçula Vital, há quatro anos, o que garante um ótimo entrosamento não só nos palcos, mas na hora de entrar em estúdio. E facilita as coisas para que um novo modus operandi, mais ameno, se imponha, mas sem desperdiçar as antigas experiências.

Crônicas do Post Mortem - Guia Para Demônios & Espíritos Obsessores” tem lançamento previsto para o início de junho, com shows agendados em várias capitais. Em disco físico, sai pela Monstro, meca do rock independente nacional, em CD e LP, e desde meados de maio todas as músicas estão liberadas nos serviços de streaming. A versão europeia também já está acertada, numa parceria com a Raging Planet de Portugal. Se a turnê do disco promete se estender por muito tempo, que seja o que Deus, ops, o que Satã quiser...

Marcos Bragatto, maio de 2019

Da um confere em Chumbo Derretido uma das faixas do novo álbum.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

"Band On The Run" - Wings

Traduzido pelo confrade Renato Azambuja via This Day in Music.com

Em 8 de junho de 1974, o Wings começou uma corrida de sete semanas no primeiro lugar na parada de álbuns do Reino Unido com "Band On The Run". O álbum se tornou um dos mais vendidos de McCartney, passando 124 semanas na parada britânica.

Mas na preparação para e durante a gravação - McCartney e sua banda estavam verdadeiramente "em fuga". O ex-Beatle estava numa maré de sucesso, seu último álbum, "Red Rose Speedway", liderou as paradas dos EUA e, finalmente, após um início instável pós-Beatles, o futuro parece bom para McCartney e seu novo grupo, Wings.

Armado com um lote de novas músicas escritas em sua fazenda na Escócia, Paul entrou em contato com a EMI para reservar o ambiente familiar dos estúdios da Abbey Road - sendo informado de que estavam reservados pelo período que McCartney havia solicitado. Ele pediu à EMI que lhe enviasse uma lista dos estúdios internacionais de gravação, restando ao cantor a escolha entre o Rio de Janeiro e Lagos, na Nigéria. Paul e Linda sonhavam com algumas semanas na África, então seria Lagos.

Mais tarde, o cantor afirmou que a idéia de ficar na praia o dia inteiro e gravar à noite parecia uma ótima maneira de fazer um novo álbum.

Então os problemas começaram.

No final de agosto de 73, cinco dias antes de partir para a África - o guitarrista do Wings, Henry McCullough, ligou para Paul para anunciar que estava deixando o grupo. Um problema nem tão grande à medida que Paul consegue fazer ele mesmo alguns licks. Mas as piores notícias ainda estavam por vir - no dia em que eles partiram e apenas três horas antes da decolagem do avião - o baterista Denny Seiwell também deixou a banda.


Isso deixou apenas o núcleo da banda - Paul, Linda e Denny Laine - para se aventurar em Lagos, junto com o ex-engenheiro de som dos Beatles, Geoff Emerick.

Ao chegar em Lagos, a banda descobriu um país, administrado por um governo militar, com corrupção e doenças correndo desenfreadas. O estúdio, no perigoso subúrbio de Apapa, era decrépito e mal equipado. A mesa de controle estava com defeito e havia apenas uma máquina de fita.

Perseverante, o trio iniciou as sessões, trabalhando do final da tarde para a noite. Paul tocava bateria e partes de guitarra, com Denny tocando violão e Linda adicionando teclados.

Justo quando eles pensaram que nada mais poderia dar errado - dando um passeio noturno, Paul e Linda foram assaltados à faca. Os agressores descartaram todos os seus objetos de valor e roubaram uma sacola contendo um caderno cheio de letras e músicas manuscritas e cassetes contendo demos de músicas a serem gravadas. Eles tiveram sorte de não serem fisicamente atacados.

Algumas noites depois, quando McCartney estava finalizando uma faixa vocal, ele começou a arfar. Sentindo-se mal, saiu para tomar um ar fresco - mas, uma vez exposto ao calor abrasador, desmaiou e caiu no chão. Ele foi levado às pressas para consultar um médico - que informou Paul de que ele havia sofrido um espasmo brônquico causado pelo excesso de fumo.

McCartney se recuperou e as sessões foram concluídas nas semanas seguintes. Quando lançado, "Band on the Run" recebeu críticas positivas e viu o álbum gradualmente avançando nas paradas. Na primavera de 1974, reforçado pelos sucessos "Helen Wheels" (em homenagem ao Land Rover de McCartney, que eles apelidaram de "Hell on Wheels"), "Jet" e a faixa-título "Band on the Run", o álbum alcançou o n.º 1 nos EUA em três ocasiões separadas.

"Band on the Run" contém alguns dos melhores esforços solo de McCartney. Então, vamos terminar com uma nota mais leve.

Mais recentemente, Paul contou a história de como ele escreveu a música "As últimas palavras de Picasso (Drink to Me)". Paul e Linda estavam de férias em Montego Bay, Jamaica, onde ele encontrou Dustin Hoffman e Steve McQueen, que estavam trabalhando no filme Papillon. Depois de um jantar com Hoffman, com McCartney brincando com o violão, Hoffmann não acreditava que McCartney pudesse escrever uma música "sobre qualquer coisa", então Hoffman retirou uma revista onde eles viram a história da morte de Pablo Picasso e suas últimas famosas palavras: “Bebam a mim, beba à minha saúde. Vocês sabem que eu não posso mais beber.” Paul aceitou o desafio e escreveu a música no local.

Review: Ex Libris - ANN - A Progressive Metal Trilogy


In a creative process that had lasted a little over a year, three splendid parts finally formed a wonderful whole.

The Dutch band Ex Libris, led by frontwoman Dianne Van Giersbergen, set out headlong on an audacious project but extremely happy outcome: the album "ANN - A Progressive Metal Trilogy", designed from August 2018 onwards in the form of 3 EPs of approximately 20 minutes, with 3 songs each, addressing in each of them the musical story of 3 great "Annes" of world history, all huge victims of terror from the human race itself, namely:

Review: Ex Libris - “Ann, Chapter 1: Anne Boleyn”.


Review: “Ann, Chapter 2: Anastasia Romanova” - Ex Libris (also in English).


... And finally, the newcomer "Chapter 3 - Anne Frank", which I will talk about in the lines below.

In the third chapter of this prog-metallic trilogy, Dianne and her companions of Ex-Libris invites us to explore Anne Frank's strong and sad story, but with the impressive lyrical charm they always manage to deliver in their works.

Anne Frank, born in Frankfurt to a Jewish family, desperate by the Nazi terror, takes refuge in the Netherlands in 1943, where Anne begins making her famous dutch written diary in a tiny notebook she had been given for her 13th birthday, which would later be published by his father and translated into over seventy languages.

The work begins precisely with the song "The Diary", which brings us to Dianne, emerging with her beautiful and smooth voice, accompanied by piano and keyboards, by the incredible Joost van den Broek, creating an initially lucid and tranquil atmosphere, where Frank begins the diary writing, writing the first lines, still serene and with a certain tranquility.

Harmony and contemplation give way to fear, anguish, and tension in the face of the coming threat in EP's second song "The Annex," which erupts bursting with ex-Libris' wonderful prog-metal elements: powerful riffs, phrasing, and guitar solos by Bob Wijtsma, variations of tempo, always pervaded by Lady Dianne's breaking voice. Here we even have a beautiful little excerpt that brings us to flamenco music, with guitars and voice.

Suddenly, sirens announce the dread and turn "The Annex" to "The Raid", undoubtedly one of the best songs of the Ex-libris career. A beautiful ten-minute suite, bringing the moment of the arrest of Anne Frank and her family by the Nazi Gestapo in August 1944 and the torturous stay and death in the Bergen-Belsen concentration camp in February 1945.

Here, there are qualities to spare. First, Dianne does almost too much of her well singing, showing one of her greatest vocal virtues: her ability to sway intermittently between lyric singing and raw metal. Moreover, the instrumental part of the song is elaborately exquisite, with the musicians seeming to frolic, as if shifting melodic cadences from here to there was extremely easy.

The song, the EP and the album ends with Dianne van Giersbergen singing a beautiful chant without lyrics, as if the specters of Anne Boleyn, Anastasia Romanova and Anne Frank looked at us in farewell and grateful for the beautiful tribute they received from Ex Libris.

Five stars.

Review: Ex Libris - ANN - A Progressive Metal Trilogy (Chapter 3 - Anne Frank) (Texto em Português)

Transleted from Portuguese by Renato Azambuja.

Ex Libris: Exclusive Interview with Dianne van Giersbergen



Tracklist:

1.The Diary (04:22)
2.The Annex (06:03)
3.The Raid (10:16)

A Banda:

Dianne van Giersbergen – Vocals
Joost van den Broek – Synth, Keys
Bob Wijtsma – Guitars
Luuk van Gerven – Bass
Harmen Kieboom – Drums


Review: Ex Libris - ANN - A Progressive Metal Trilogy (Chapter 3 - Anne Frank)


Review: Ex Libris - ANN - A Progressive Metal Trilogy (Chapter 3 - Anne Frank) (in English)

Em um processo criativo que durara um pouco mais de um ano, três esplêndidas partes formaram, enfim, um todo maravilhoso.

A banda neerlandesa Ex Libris, capitaneada pela frontwoman Dianne Van Giersbergen, se lançou de cabeça em um projeto audacioso, porém, de resultado extremamente feliz: o álbum "ANN - A Progressive Metal Trilogy", concebido a partir de agosto de 2018, paulatinamente na forma de 3 EPs de aproximadamente 20 minutos, com 3 canções em cada, abordando em cada um deles a história musicada de 3 grandes "Anas" da história mundial, todas enormes vítimas do terror oriundo da própria raça humana, sendo elas:

Review: Ex Libris - “Ann, Chapter 1: Anne Boleyn”.


Review: “Ann, Chapter 2: Anastasia Romanova” - Ex Libris (also in English).


...E por fim, o recém-chegado "Chapter 3 - Anne Frank", sobre o qual discorrerei nas linhas abaixo.


No terceiro capítulo desta trilogia prog-metálica, Dianne e seus companheiros de Ex-Libris nos convida a explorar a história forte e triste de Anne Frank, mas com o encanto lírico impressionante que eles sempre conseguem entregar em suas obras.

Anne Frank, nascida em Frankfurt em uma família judia, que desesperada ante o terror nazista, se refugia na Holanda em 1943, onde Anne inicia a confecção de seu famoso diário, em holandês, num pequenino caderno que ganhara de presente no seu 13º aniversário, que posteriormente seria publicado por seu pai e traduzido para mais de setenta idiomas.

O trabalho começa justamente com a canção "The Diary", que nos remete à Dianne surgindo com sua linda e maviosa voz, acompanhada ao piano e teclados, pelo incrível Joost van den Broek, criando uma atmosfera ainda lúcida e tranquila, onde Frank inicia a escrita de seu diário, redigindo as primeiras linhas, ainda serena e com uma certa tranquilidade.

A harmonia e contemplação dá lugar ao medo, angústia e tensão ante a ameaça vindoura em "The Annex", segunda canção do EP, que chega eruptivamente jorrando os maravilhosos elementos prog-metal da Ex-Libris: riffs, fraseados e solos de guitarra poderosos de Bob Wijtsma, variações de andamentos, sempre permeados pela voz irrompedora de Lady Dianne. Aqui temos até mesmo um pequeno lindo trecho que nos remete à música flamenca, com violões e voz.

Subitamente, sirenes anunciam o pavor e viram "The Annex" para "The Raid", indubitavelmente uma das melhores canções de toda a carreira da Ex-libris. Uma maravilhosa suíte de dez minutos, trazendo o momento da prisão de Anne Frank e sua família pela Gestapo nazista em agosto de 1944 e a torturante permanência e morte no campo de concentração Bergen-Belsen, em fevereiro de 1945.

Aqui sobram qualidades. Em primeiro lugar, Dianne abusa de cantar bem, mostrando uma de suas maiores virtudes vocálicas: a sua capacidade de surfar intermitentemente entre o canto lírico e o metal rasgado. Além disso, o instrumental da canção é elaboradamente primoroso, com os musicistas parecendo brincar, como se mudar cadências melódicas daqui pra ali fosse algo extremamente fácil.

A canção, o EP e o álbum se encerra com Dianne van Giersbergen entoando um lindo canto sem letra, como se os espectros de Anne Boleyn, Anastasia Romanova e Anne Frank nos olhassem em despedida e agradecidas pela belíssima homenagem que receberam da Ex Libris.

Nota 10.

Ex Libris: Entrevista exclusiva com Dianne van Giersbergen



Tracklist:

1.The Diary (04:22)
2.The Annex (06:03)
3.The Raid (10:16)

A Banda:

Dianne van Giersbergen – Vocals
Joost van den Broek – Synth, Keys
Bob Wijtsma – Guitars
Luuk van Gerven – Bass
Harmen Kieboom – Drums

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Arquivo Free Four: Pink Floyd - "The Endless River", um trabalho, digno sim, de findar a marca

Hoje, oficialmente o Pink Floyd lançou seu ato final, o último álbum com o nome do grupo. Acabo de ouvi-lo por inteiro e já quis escrever esse texto, tamanha a emoção que me contagiou.

Arquivo Free Four - Pink Floyd: Roger Waters poderia ter acrescentado à obra "The Final Cut", o subtítulo: ”o sono da razão produz monstros", se Goya já não o tivesse feito.

Para um disco feito à base de sobras de estúdio de outro álbum, o antecessor "The Division Bell", este é um belíssimo trabalho de despedida e também homenagem póstuma ao tecladista Richard Wright, morto em 2008.

Ao melhor estilo da fase pós-wateriana, que considero a espaço-glacial da banda, este trabalho se inicia com aquelas já clássicas faixas introdutórias, que dão a noção da viagem que vem a seguir, trata-se de "Things Left Unsaid", seguida de "It's What We Do".

Arquivo Free Four: Grace Slick e a sua obra de arte chamada "Manhole"

O som espacial e progressivo, marcante do Pink Floyd fica estampado na quarta faixa em "Sum", e como não me remeter à lembrança do filme "Live At Pompeii", ao ouvir a bateria de Nick Mason e a guitarra distorcida de David Gilmour, na quinta música, "Skins".

"Anisina", a sétima, me fez lembrar no seu começo da antológica "Us And Them", de "The Dark Side Of The Moon", com as bases de teclados inconfundíveis de Richard Wright e o sax de Dick Parry.

Que qualidade, que coisa gostosa de ouvir é a nona música, "On Noodle Street", e a anteriormente divulgada "Allons-y (1)" e sua continuação "Allons-y (2)", décima e décima segunda faixas, definitivamente nos traz de volta à atmosfera Division Bell.

Arquivo Free Four: Pink Floyd - "The Piper at the Gates of Dawn" se destacou no prolífico e inigualável ano de 1967

Eis que a "voz" do gênio Stephen Hawking, pode ser novamente ouvida na ótima música repleta de solo de David Gilmour, "Talkin' Hawkin''.

No segmento final do álbum temos a maestria de David Gilmour, esbanjando suas cordas em "Surfacing", e, finalmente culminando num belo canto na única música vocalizada do disco, a belíssima "Louder Than Words".

Arquivo Free Four: Discorrendo sobre o álbum "Phaedra" - Tangerine Dream

Conclusão:

Um disco feito da costela de outro, contendo uma sonoridade que remete o ouvinte não só à fase do disco de origem, mas também a momentos setentistas. Um trabalho, digno sim, de findar a marca Pink Floyd, com maestria, homenagem a Rick Wright, e uma capa que traduz o que ouviremos.

Valeu Floyd, valeu mesmo! Nota DEZ!

King Crimson: Robert Fripp viria anunciar a boa nova na forma de um mito: "In The Court of The Crimson King"

Ouçam-no na íntegra pelo Spotify no link abaixo:

https://open.spotify.com/album/0fXAlQ9wTG2glNJvZEkBZc?ref=wp...

Obs: Texto de 2014, resgatado do finado blog Free Four, antecessor deste atual. Fora publicado também no WHIPLASH.NET



Tracklist:

01. Things Left Unsaid
02. It's What We Do 
03. Ebb and Flow 
04. Sum 
05. Skins 
06. Unsung 
07. Anisina 
08. The Lost Art of Conversation 
09. On Noodle Street 
10. Night Light (
11. Allons-y (1) 
12. Autumn '68 
13. Allons-y (2) 
14. Talkin' Hawkin' 
15. Calling 
16. Eyes to Pearls 
17. Surfacing 
18. Louder Than Words 
19. TBS9 
20. TBS14 
21. Nervana

A Banda:

David Gilmour – vocais, guitarra
Nick Mason – bateria, percussão
Richard Wright – teclado, piano

Músicos convidados:

Sarah Brown  – vocal de apoio
Guy Pratt – baixo
Louise Clare Marshall  – vocal de apoio
Durga McBroom – vocal de apoio

Equipe técnica:

Andrew Jackson – engenheiro de som
Polly Samson – letrista

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Review: em "Dynamind" o Edenbridge potencializa todas as suas qualidades

A banda austríaca Edenbridge, capitaneada pelo multi-instrumentista Lanvall e embalada pela voz maviosa da frontwoman Sabine Edelsbacher, tem como principal qualidade um gigantesco equilíbrio harmônico em suas canções.

Tudo no Edenbridge parece funcionar alquimisticamente em dosagens exatas que jamais interferem e prejudicam as demais características sonoras da banda.

Se isso é feito de forma intencional ou não, só a banda poderia cravar, mas o relevante é que o resultado final funciona solenemente.

Ouça a playlist "Best of Edenbridge"
Review: "The Great Momentum" - Edenbridge

Isso se observa exponencialmente no recém-nascido álbum da banda, "Dynamind", que chegará no dia 25 de outubro último.

Aqui a banda ganhara a adição do baixista Stefan Gimpl, função que no álbum anterior do grupo de Linz, "The Great Momentum" (2017), vinha sendo acumulada por Lanvall, que assinara também os trabalhos no piano, guitarra, violão de 6 e 12 cordas, além, é claro, das composições.


"Dynamind" fora concebido como um esmerado trabalho de power metal sinfônico, com o melhor e genuino selo de qualidade Edenbridge, logo nas quatro canções iniciais, "The Memory Hunter", "Live And Let Go", "Where Oceans Collide" e "On The Other Side", com destaques para a canção de abertura, que traz a assinatura da obra que será discorrida a seguir e da segunda e quarta faixas, previamente mostradas através de um lyric video e um clipe, respectivamente, com direito a Lanvall abrindo "On The Other Side" no xilofone. Todas contendo todo o equilíbrio supracitado, mais com a diferença de que todos os elementos receberam uma potencial adição de vigor musical em relação ao álbum antecessor, "The Great Momentum" , ou seja, "Dynamind" trouxe uma evolução em relação ao último disco, que já era excelente.


"All Our Yesterdays", a quinta canção, vale um destaque especial para a sua extrema beleza lírico-harmônica, sobretudo pelo belíssimo canto de Sabine, digamos, mais inspirada neste trabalho do que no álbum anterior.

Outra canção em que o cantar de Sabine se destacara é "Tauerngold", a música de andamento mais lentificado do disco, a "balada" da obra.

Falar do virtuosismo de Lanvall como guitarrista é sim cair na redundância, porém ele utiliza tal dom sempre em prol das canções, nunca é demasiado e descabido, sempre as embelezando.

As provas disso são as duas faixas subsequentes, "What Dreams May Come" e "The Last Of His Kind", sim, novamente temos aquela maravilhosa faixa longa, com mais de dez minutos para o Edenbridge ser o Edenbridge e Lanvall ser aquele Lanvall que todo fã aprecia, com as felizes variações de andamento dentro da canção, repleta de elementos elegantes de cordas e teclas e o melódico tom de Edeslbacher.

O trabalho fecha com a curta faixa-título trazendo Sabine entoando versos acompanhados pelas bases de teclados e acordes da guitarra de Lanvall.

"Dynamind" fora viabilizado graças a uma campanha de crowdfunding e diante da obra que nos fora apresentada, indubitavelmente, valera cada centavo investido.

Tracklist:

The Memory Hunter
Live And Let Go
Where Oceans Collide
On The Other Side
All Our Yesterdays
The Edge Of Your World
Tauerngold
What Dreams May Come
The Last Of His Kind
Dynamind

A Banda:

Sabine Edelsbacher - Vocals
Lanvall - Guitars, Keyboards
Dominik Sebastian - Guitar
Stefan Gimpl - Bass
Johannes Jungreithmeier - Drums

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Review: Epica - "Design Your Universe" (10th Anniversary)

Texto em português: Epica: os 10 anos de "Design Your Universe".
(Translated to english by Renato Azambuja)

The Dutch symphonic metal band Epica is like a great mythological creature that is born, feeds on what it learns and absorbs it, growing and evolving always. And the best, becoming more confident and stronger.

Rising from their great debut "The Phantom of Agony" (2003), sequencing with "Consign to Oblivion" (2005) and "The Divine Conspiracy" (2007), the band led by guitarist and vocalist Mark Jansen and frontwoman Simone Simons will debut in his fourth studio work, "Design Your Universe" (2009) a new second guitarist, Isaac Delahaye, egressed by God Dethroned, replacing Ad Sluijter, and also a new drummer, Ariën Van Weesenbeek, also from Isaac's previous band.

And Delahaye had brought great elaborative qualities to the increasingly powerful Epica, with her well-seasoned technique with progressive touches on both electric and acoustic guitar, as well as contributing positively to a second line of guttural vocals, adding to those of Mark Jansen.

Epica had been specializing over time in delving deeper into the themes of their albums and song lyrics into the worlds of psychology, parapsychology, metaphysics and quantum physics, the obvious fruits of the literature absorbed by the master in psychology and main composer of the band, Mark Jansen.

Here we have the vision of Jansen referring us to the concept of human union at the subatomic level, coming from quantum physics, that is: while in the predecessor album "The Divine Conspiracy" (2007) the approach brought the concept of the union of the divine about being. Humanity, now in "Design Your Universe" (2009), is reversed, with human relevance being anthropocentrically exponentialized by the power of its own thinking, which might even be able to influence matter.

Musically "Design Your Universe" was another beautiful gift to the fans who had been accompanying the band, bringing the elements of Epica's essence in full expansion.

Every fan of the Netherlands group wants to get a job vitalized by solemnly pervading operatic corals, flawless keyboard bases and lyrical arrangements performed by Coen Janssen, Mark Jansen's heavy guitar riffs and now ripped solo by Isaac Delahaye and the gorgeous mezzo-soprano voice of Simone Simons.

The album in question provides the listener with all the above elements, in perfect balance, track by track, marked also by another noble feature of Epica: the amazing ability to play with the possible variations of the tempo of the songs. A song from this band never starts and ends the same way, it always comes full of storms and lulls in your womb, even though their proportions are not always the same, which is great, because they instill something of surprise and a certain unpredictability.

As for the highlights, if this is possible, due to the happy qualitative homogeneity of this work, let us try:

The track "Resign to Surrender (A New Age Dawns, Part IV)", a kind of "overture", where one has the perfect notion of what to expect from the next hour during the audition and a starts to portray a smile. such a sensation;

"Unleashed", the first single released, which would be the album's "working song", steps a little on the tempo brakes and makes room for Mrs. Simons to sing with her full lung and diaphragm ability. The song conquered space on the setlists of the band's shows to this day;


"Martyr of the Free Word", which begins to sound like the damn sound will absolutely reign over it, soon gets its violence broken by Simons' cadent, soothing chant, and then there's a gnarly musical rollercoaster, a killer solo by Delahaye killer;

"Our Destiny", track written for Simone Simons to shine. The melodic line of his singing here sounds like one of the best of his career. A Song to ask: "Sing more for us, Simone".

"Kingdom of Heaven (The New Age Dawns, Part V)", now we're talking about the best song on the album, one of the band's top five songs and one of the greatest of all symphonic metal. Not exactly a Rich song, but a millionaire one in progressive elaboration and thousand variations, potentiated by much weight. Special attention at 4'50", where we have a wonderful tempo of the doom-metal-classic, a solemn moment.

"Tides of Time," a soaring song, built primarily on the voice and piano line, where Simone Simons had probably given her most beautiful trebles of her career;

"Semblance of Liberty", here we have a song with some structural resemblance to "Resign to Surrender (A New Age Dawns, Part IV)", where Simone enters, bursting with her voice, only in the choruses. As in the above, excellence is the same;

"White Waters", a ballad worth highlighting given the duet between Simone and the special guest Tony Kakko of the band Sonata Arctica;

"Design Your Universe (A New Age Dawns, Part VI)", the magnificent title track, which solemnly signs and stamps the entire artistic-conceptual framework of this work.


Epica is currently touring and promoting the recently released "Design Your Universe - Gold Edition", celebrating the anniversary of the first decade of the original's release.

On the Next week the band will land in Brazil for concerts on October 26 and 27, in Sao Paulo (Tropical Butantã) and Rio de Janeiro (Circo Voador) respectively.

A most deserved celebration. Long live Epica !!!

Tracklist:

1. Samadhi - Prelude 
2. Resign To Surrender - A New Age Dawns - Part IV 
3. Unleashed 
4. Martyr Of The Free Word 
5. Our Destiny 
6. Kingdom Of Heaven - A New Age Dawns - Part V
7. The Price Of Freedom - Interlude 
8. Burn To A Cinder 
9. Tides Of Time 
10. Deconstruct 
11. Semblance Of Liberty 
12. White Waters 
13. Design Your Universe - A New Age Dawns - Part VI

Bonus-tracks:

14. Incentive
15. Unleashed (Duet Version) (com Amanda Somerville)

The Band:

Simone Simons – vocal
Mark Jansen – rhytm guitar, gutural vocals
Isaac Delahaye – lead guitar
Yves Huts – bass
Coen Janssen – piano
Ariën Van Weesenbeek – drums, gutural vocals

Guests:

Tony Kakko – vocal (in "White Waters")
Amanda Somerville – vocal (in "Unleashed (Duet Version)")

Choir:

Linda van Summeren, Bridget Fogle
Amanda Somerville, Cloudy Yang
Previn Moore
Melvin Edmondsen
Simon Oberender, Olaf Reitmeier, Coen Janssen

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Epica: os 10 anos de "Design Your Universe"

A banda neerlandesa de symphonic metal Epica é como uma grande criatura mitológica que nasce, se alimenta do que aprende e o absorve, crescendo e evoluindo sempre, e o melhor, se tornando mais confiante e forte.

Vindo numa crescente, desde seu ótimo debut "The Phantom of Agony" (2003), sequenciando com "Consign to Oblivion" (2005) e "The Divine Conspiracy" (2007), a banda capitaneada pelo guitarrista e vocalista Mark Jansen e pela frontwoman Simone Simons estreara em seu quarto trabalho de estúdio,"Design Your Universe" (2009), um novo segundo guitarrista, Isaac Delahaye, egresso da banda God Dethroned, substituindo Ad Sluijter, e também um novo baterista, Ariën Van Weesenbeek, também oriundo da banda de Isaac.

Delahaye trouxera grandes qualidades elaborativas a cada vez mais possante Epica, com sua técnica bem temperada com toques progressivos, tanto na guitarra, quanto ao violão, além de contribuir positivamente com uma segunda linha de vocais guturais, somando com os de Mark Jansen.

Epica: Mensagem de Mark e Simone em vídeo e informações completas dos shows no Brasil

O Epica fora se especializando com o passar do tempo em ir se aprofundando nas temáticas de seus álbuns e letras de suas canções nos mundos da psicologia, parapsicologia, metafísica e física quântica, frutos obviamente das literaturas absorvidas pelo mestre em Psicologia e principal compositor da banda, Mark Jansen.

Aqui temos a visão de Jansen nos remetendo ao conceito da união humana ao nível subatômico, advindo da física quântica, ou seja: enquanto no álbum antecessor, "The Divine Conspiracy" (2007) a abordagem trazia o conceito da união do divino sobre o ser humano, agora em "Design Your Universe" (2009), a coisa se inverte, com a relevância humana sendo exponenciada antropocentricamente pelo poder de seu próprio pensamento, que poderia ser capaz até mesmo de influenciar a matéria.

Epica: os 5 anos de "The Quantum Enigma" (also in English)

Musicamente "Design Your Universe" fora mais um belo presente aos fãs que vinham acompanhando a banda, trazendo os elementos da essência do Epica em plena expansão.

Todo fã do grupo dos Países Baixos quer receber um trabalho vitalizado por corais operísticos que o permeiam solenemente, bases de teclados e arranjos líricos impecáveis executados por Coen Janssen, riffs de guitarra pesados de Mark Jansen e rasgados por solos agora de Isaac Delahaye e a maravilhosa voz da mezzo-soprano Simone Simons.

O álbum em questão brinda o ouvinte com todos os elementos supracitados, em perfeito equilíbrio, faixa a faixa, marcado também por outra nobre característica do Epica: a estupenda habilidade de jogar com as variações possíveis de andamento das canções. Uma canção desta banda jamais começa e termina da mesma maneira, ela sempre vem recheada de tempestades e calmarias no seu ventre, ainda que as proporções destas nem sempre sejam as mesmas, o que é ótimo, por nelas incutir um quê de surpresa e uma certa imprevisibilidade.

Livro: Primeira biografia do Epica já está em pré-venda

Quanto aos destaques, se é que isso seja possível, devido a feliz homogeneidade qualitativa desta obra, enfim, tentemos:

A faixa "Resign to Surrender (A New Age Dawns, Part IV)", uma espécie de "overture", onde nela se tem a perfeita noção do que se esperar da hora vindoura durante com a audição e já começar a esboçar um sorriso para tal sensação;

"Unleashed", o primeiro single divulgado, que seria a "música de trabalho" do disco, pisa um pouco no freio do andamento e abre espaço para que a Senhora Simons cante com sua habilidade a plenos pulmões e diafragma. A canção conquistar espaço nos setlists dos shows da banda até hoje;


"Martyr of the Free Word", que começa parecendo que a porradaria sonora vai imperar absolutamente sobre ela, logo recebe a quebra de sua violência pelo canto cadenciado e mavioso de Simons, e daí tem-se uma montanha-russa musical-elaborada, solo matador de Delahaye;

Epica: Assista ao vídeo da versão acústica de "Martyr of The Free Word"

"Our Destiny", faixa escrita para Simone Simons brilhar. A linha melódica de seu canto aqui soa como uma das melhores de sua carreira. Música para pedir: "cante mais para nós, Simone".

"Kingdom of Heaven (A New Age Dawns, Part V)", agora estamos falando da melhor canção do álbum, de uma das cinco melhores canções da banda e uma das maiores de todo o metal sinfônico. Canção rica, não, chega a ser milionária em elaboração progressiva e variações mil, potencializada por muito peso. Atenção especial no tempo 4min50seg, onde temos um maravilhoso andamento doom-metal-erudito, momento solene.

Assista ao lyric video de "Kingdom Of Heaven", canção da edição comemorativa do álbum "Design Your Universe"

"Tides of Time", canção crescente , construída basicamente na linha voz e piano, onde Simone Simons provavelmente dera seus mais belos agudos de sua carreira;

"Semblance of Liberty", aqui temos uma canção com certa semelhança estrutural com "Resign to Surrender (A New Age Dawns, Part IV)", onde Simone a adentra, irrompendo-a com sua voz, somente nos refrãos. Assim como na supracitada, a excelência é a mesma;

"White Waters", balada que vale o destaque por trazer um dueto entre Simone e o convidado especial Tony Kakko, da banda Sonata Arctica;

"Design Your Universe (A New Age Dawns, Part VI)", a magnífica faixa-título, que solenemente assina e carimba toda a estrutura artístico-conceitual desta obra.


Atualmente o Epica vêm excursionando e divulgando o recém-lançado "Design Your Universe - Gold Edition", celebrando o aniversário da primeira década do lançamento do original.
Na semana que vem a banda aportará no Brasil para shows nos dias 26 e 27 de outubro próximos, em São Paulo (Tropical Butantã) e Rio de Janeiro (Circo Voador) respectivamente.

Uma merecidíssima celebração. Vida longa ao Epica!!!

Tracklist:

1. Samadhi - Prelude
2. Resign To Surrender - A New Age Dawns - Part IV
3. Unleashed
4. Martyr Of The Free Word
5. Our Destiny
6. Kingdom Of Heaven - A New Age Dawns - Part V
7. The Price Of Freedom - Interlude
8. Burn To A Cinder
9. Tides Of Time
10. Deconstruct
11. Semblance Of Liberty
12. White Waters
13. Design Your Universe - A New Age Dawns - Part VI

Bonus-tracks:

14. Incentive
15. Unleashed (Duet Version) (com Amanda Somerville)

A Banda:

Simone Simons – vocal
Mark Jansen – guitarra rítmica, vocal gutural
Isaac Delahaye – guitarra solo
Yves Huts – baixo
Coen Janssen – sintetizador, piano
Ariën Van Weesenbeek – bateria, vocal gutural

Convidados:

Tony Kakko – vocal (em "White Waters")
Amanda Somerville – vocal (em "Unleashed (Duet Version)")

Coral:

Linda van Summeren, Bridget Fogle - sopranos
Amanda Somerville, Cloudy Yang - altos
Previn Moore - tenor
Melvin Edmondsen - baixo

Simon Oberender, Olaf Reitmeier, Coen Janssen - barítonos e baixos.
Discos e capa original de 2009
Capa da nova edição Gold Edition

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

The Beatles: "Abbey Road", o fascinante epílogo

Com cerca de 47 minutos de duração, o álbum derradeiro (não oficialmente, mas na prática) dos quatro geniais de Liverpool, leva o tempo de uma sessão de psicoterapia.

E de fato ele pode servir a tal propósito, contemplado em sua integralidade, ininterruptamente, com os ouvidos e feelings sorrateiramente entregues à profusão.

Servira também de acalanto terapêutico para os quatro feitores, George, John, Paul e Ringo, à luz de seu mestre George Martin, que lhes exigira um comportamento fraternal de outrora, para topar produzir a obra.

O insight surgira do âmago de Paul McCartney, que literalmente correra atrás de seus enrusgados e dispersos colegas a fim de trazê-los e congregá-los no antológico estúdio da Abbey Road que intitularia o álbum, hoje cinquentão.

Como em uma terapia de grupo, os devidos espaços deveriam ser democraticamente respeitados, com a valorização das ideias e produções quádruplas, supervisionadas e orquestradas pelo produtor Martin.

Com toda essa atmosfera, a canção de abertura não poderia ser outra que não denominada "Come Together,", previamente endereçada por John à campanha do papa do LSD, Timothy Leary para fins do slogan de sua campanha a Governador da Califórnia, posteriormente e jungianamente deixando entrever um tal de inconsciente coletivo eclodido do anseio beatle de união, ainda que  momentânea.


John queria um disco de canções avulsas, Paul por sua vez, preferia algo todo coalizado, tal qual uma ópera conceitual.

Cabível nova intervenção então do "terapeuta" George Martin para equacionar o imbróglio antes mesmo dele começar: dividamos o álbum em 2 partes, onde o lado A trará canções isoladas "a John vontê" e o outro lado faria o Macca sorrir, com a parte de músicas emendadas, sem pausas.

Ainda que no canto dos cisnes, ainda não era tarde para George e Ringo cravarem algumas de suas melhores composições na história da banda.

No caso de George, a idílico-radiofônica "Here Comes the Sun" e Something, esta a "Melhor canção de Amor já escrita", dito por Frank Sinatra, coisa que este modesto escritor concorda e assina embaixo, sobretudo pelo fato de George conseguir fazer uma canção com romantismo transbordando em lirismo, sem o uso da palavra "Love" e da expressão "I Love You".


The Beatles: Ouça versão inédita de"Something"

O senhor Starkey nos trouxera de presente a magnífico-color-lúdica "Octopus's Garden", canção que remete um pouco o ouvinte caledoscópico à "The Gnome", do diamante floydiano Syd Barrett, que chegara dois anos antes, no álbum de estreia do Pink Floyd, "The Piper at Gates of Dawn".

Mas "Abbey Road" é um álbum de rock and roll e sendo assim, se faz mister aquele toque de visceralidade e agressividades inerentes ao estilo.

Aí que entra Sir Paul McCartney com seus rascantes berros melódicos às canções suas "Oh! Darling" e "I Want You (She's So Heavy)", nesta última se acrescentassem a palavra metal após heavy não seria sequer um pecadilho.

"Because" e "Sun King", ambas canções co-irmãs, imersas na erudição, contendo os vocais lírico-triplicados, remetendo o contemplante à atmosfera de uma sinfonia, e das mais belas, daquelas de chorar.


Separando as siamesas supracitadas, Paul McCartney viera com "You Never Give Me Your Money", na melhor linha cancioneiro blues-rock, e, claro, aprecie seus berros sem moderação.

E Lennon nos dá novo chacoalhão com os petardos rock-raiz em "Mean Mr. Mustard" e "Polythene Pam", onde ambas servem de prelúdio para na sua foz desembocar na empolgante "She Came in Through the Bathroom Window", nesta linha de passe musical de extrema competência com as tabelinhas John-Paul.

Se aproxima a parte do final do trabalho, que seria o epílogo de toda uma história que mudara o mundo.

E o álbum vai ficando com ares de nostalgia e transposição de sentimentos ruins em bons. Tranquilizemos e apaziguemos tudo, meus amigos. É o que Paul parece nos dizer na sua suave "Golden Slumbers", sequenciada por "Carry That Weight", uma espécie de catarse aos 45 do segundo tempo, indicando uma provável prorrogação das diferenças entre os integrantes da banda, sobretudo entre ele e Lennon.

É chegada a hora do fim da sessão. E assim como ela não poderia deixar de começar com uma canção intitulada "Come Together", terminar com "The End" no caso derradeiro álbum dos Beatles, seria no mínimo obrigatório.

Embora o disco traga em sua conclusão os 23 segundos da quase oculta faixa "Her Majesty", é "The End" que efetivamente vaticina o fim de não somente uma banda, mas de uma década que transformaria décadas, deixando-nos o verso:

"And in the end
The love you take
Is equal to the love you make"

"E no fim
O amor que você recebe
É igual
Ao amor que você dá"


Assim George Martin apagou as luzes do estúdio na certeza de que cada um ainda teria seus conflitos e chistes, mas que tinham fechado uma gestalt, ou um todo.

Agora, fala sério: tem forma mais linda e solene de se findar uma história?



Tracklist:

1. Come Together
2. Something
3. Maxwell´s Silver Hammer
4. Oh! Darling
5. Octopus's Garden
6. I Want You (She's So Heavy)
7. Here Comes the Sun
8. Because
9. You Never Give Me Your Money
10. Sun King
11. Mean Mr. Mustard
12. Polythene Pam
13. She Came in Through the Bathroom Window
14. Golden Slumbers
15. Carry That Weight
16. End
17. Her Majesty

A Banda:

John Lennon – lead, harmony and background vocals; rhythm, lead and acoustic guitars; acoustic and electric pianos, Moog synthesizer; white noise generator and sound effects; percussion;

Paul McCartney – lead, harmony and background vocals; bass, rhythm, lead and acoustic guitars; acoustic and electric pianos, Moog synthesizer; sound effects; wind chimes, handclaps and percussion;

George Harrison – harmony and background vocals; lead, rhythm and acoustic guitars; bass on "Maxwell's Silver Hammer" and "Golden Slumbers/Carry That Weight"; harmonium and Moog synthesizer; handclaps and percussion; lead vocals (on "Something" and "Here Comes the Sun");

Ringo Starr – drums and percussion; anvil on "Maxwell's Silver Hammer";[39] background vocals; lead vocals (on "Octopus's Garden");

Additional musicians

George Martin – harpsichord, organ, percussion

Billy Preston – Hammond organ (on "Something" and "I Want You (She's So Heavy)")

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Judas Priest: "Unleashed in the East", o estupendo 1º álbum ao vivo da banda


Sabe aquele álbum ao vivo que você lamenta profundamente não haver um registro em vídeo?

Este é o caso de "Unleashed in the East", o primeiro trabalho gravado ao vivo do Judas Priest, trazendo uma edição com partes dos seis shows feitos pela banda à época, lançado em 17 de setembro de 1979.

Apesar de pairar no ar a informação de que parte dele possa ter sido gravada em estúdio, uma vez que o próprio frontman Rob Halford tenha assumido ter sido acometido por uma forte gripe, o que o levara a regravar parcialmente sua voz em estúdio, trabalhemos aqui o tratando realmente como um disco ao vivo.

Esse que vos escreve costuma dizer que este é anos-luz o melhor lançamento ao vivo do Priest por uma simples razão: nele, todas as canções do tracklist receberam suas versões apicais e irretocáveis.

Além disso conta a seu favor a perfeita ordem escolhida para o tracklist, o que torna maravilhoso ir ouvindo "Unleashed in the East", faixa a faixa, na sua integralidade.

Ele abre com a pancada acelerada "Exciter", com tudo soando "supersônico", as guitarras de Glenn Tipton e KK Downing e os agudos irrompedores do mestre Rob Halford.

Em seguida "Running Wild" nos remete ao heavy metal tradicional com um pingado hard rock, canção empolgante, boa pra cantar junto.

"Sinner" é uma dessas maravilhas que fora ainda mais lapidada, se tornando um verdadeiro diamante sonoro, versão definitiva desta música. Talvez nunca mais o Priest a tenha executado tão perfeitamente.

A intro cadenciada e o agudo inicial de Halford faz "The Ripper" ser tão promissora e os minutos subsequentes comprovam isso.

"The Green Manalishi", de Peter Green, do Fleetwood Mac, aqui aparece como um heavy metal impecável, entre riffs, solos de Tipton/Downing e agudos crescentes de Halford.

Pode o solo de guitarra "cantar junto" com o vocalista? Pode e deve! E ficou a coisa mais linda o que temos aqui em "Diamonds and Rust", pérola sagrada da rainha do folk Joan Baez, que nesta versão ganhara uns "quilômetros por hora" a mais, porém sm perder nunca a sua riqueza melódica. Maravilha!

Agora, talvez o melhor momento de toda a carreira do Judas Priest, em especial de Halford: o que significa a versão de "Victim of Changes" contida em "Unleashed in the East"? Apoteose metálica, o melhor berro entoado pelo Metal God, magnífico, bravo, bravíssimo!

O que o Judas fizera com "Sinner" nestes shows, fizera algo parecido com "Genocide", outra canção longa do registro, com variações de nuances, tudo tratado com o maior esmero técnico possível, nela, as guitarras estão não menos que espetaculares.

A edição original fecha com "Tyrant" e posteriormente, em 2001, a obra recebera mais quatro faixas adicionais na edição japonesa em CD: "Rock Forever". "Delivering the Goods", "Hell Bent for Leather" e "Starbreaker".

Concluindo, não é exagero afirmar que "Unleashed in the East" seja um dos melhores registros ao vivo da história do heavy metal.


Tracklist:

01. Exciter
02. Running Wild
03. Sinner
04. The Ripper
05. The Green Manalishi (With The Two-Pronged Crown)
06. Diamonds And Rust
07. Victim Of Changes
08. Genocide
09. Tyrant
10. Rock Forever
11. Delivering The Goods
12. Hell Bent For Leather
13. Starbreaker

A Banda:

Rob Halford - Vocais
K.K. Downing - Guitarra
Glenn Tipton - Guitarra
Ian Hill - Baixo
Les Binks - Bateria