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sexta-feira, 13 de maio de 2022

Ratos de Porão revisita trilogia crossover em álbum conceitual inspirado no Bolsonarismo

Show de lançamento de "Necropolítica", o 13º disco da banda, acontece dia 29 de maio em São Paulo, no Kool Metal Fest.

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Em outubro de 2021 o Ratos de Porão comemorava exatos 40 anos enquanto gravava o um novo álbum, seu primeiro desde 2014. Neste meio tempo o Brasil passou por um processo de degradação política e social como não se via há décadas.

Se por um lado o país nunca esteve perto de resolver seus problemas estruturais, estes últimos anos trouxeram de volta a fome, a inflação, as ameaças de rompimento com a democracia e, como se não bastasse, uma pandemia.

O resultado de tudo isso foi “Necropolítica”, um álbum conceitual sobre a era Bolsonarista e a ascensão da extrema direita no país. A parte musical por sua vez traz uma revisitação do período crossover da banda no final da década de 1980, época igualmente marcada pela crise e desilusão.

Ouça o novo disco aqui: https://onerpm.link/AlbumNecropolitica.

Em mais de 40 anos de carreira, os Ratos conseguiram manter sua essência durante diversas fases. Só na década de 80, passaram pelo hardcore reto de influência americana da coletânea “SUB”, o d-beat nórdico-paulistano de “Crucificados Pelo Sistema” e o metalpunk sombrio de “Descanse em Paz” até chegarem na fórmula que para muita gente definiu mais do que todas a identidade da banda.

Trata-se da trilogia crossover, “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” (1987), “Brasil”(1989) e “Anarkophobia” (1990). Foi quando o Ratos de Porão viveu sua fase de atividade mais intensa e desenvolveu a receita mágica misturando precisão thrash metal, entrega hardcore e letras relatando a realidade nacional em tom hora satírico, hora jornalístico.

Dos anos 90 em diante a banda não parou de evoluir. Seguiu se reinventando a absorvendo novas influências a cada novo trabalho, mas o espírito da trilogia sempre se manteve como a fundação sobre a qual as novas ideias eram construídas.

E eis que agora esta fase gloriosa é revisita e atualizada no que talvez seja o álbum mais emblematicamente Ratos de Porão desde o “Anarkophobia”. E não há momento mais propício para isto.

No final da década de 80 o Brasil vendia o sonho da redemocratização mas entregava miséria, hiperinflação e violência, além de uma epidemia de HIV. Já na última década, a história se repetiu em tragédia e a bonança dos anos 2000 deu lugar a um pout-pourri distópico que trouxe volta a fome e a inflação dos anos 80 alinhada à demagogia autoritária da ditadura e, de gorjeta, a pandemia da Covid-19.

Assim como o punk brasileiro foi filho da repressão do regime militar e o hardcore nos EUA e Reino Unido são resultado das mazelas da era Reagan/Thatcher, o Brasil bolsonarista fertilizou o terreno para “Necropolítica” com o esterco repressivo produzido pelo gado verde-e-amarelo.

O álbum poderia se chamar “Brasil parte 2”. Como no trabalho de 1989, trata-se mais uma vez de um disco conceitual sobre o país, uma ode às mazelas, à decepção e às massas que colaboram de maneira bovina com seu próprio destino de subdesenvolvimento enquanto assistem à decomposição social diante de seus olhos.

A maioria das bandas que duram décadas se contenta em viver das glórias do passado ou, pior, tentar se adequar às tendências do momento. Os Ratos de Porão nunca caíram nestas armadilhas e sempre souberam usar o próprio legado para criar coisas novas. Assim, “Necropolítica” não é um álbum de nostálgico ou retrô. É a reciclagem de um espírito que de repente volta a fazer sentido.

A produção do disco ficou por conta da própria banda no estúdio Family Mob em São Paulo, durante outubro de 2021. A mixagem foi feita em janeiro de 2022 por Fernando Sanches no estúdio El Rocha.

Ratos de Porão no Kool Metal Fest

O show de lançamento do Necropolítica acontece no dia 29 de maio, na pesada edição 2022 do Kool Metal Fest. O evento, em São Paulo, terá o Carioca Club como palco, a partir das 14h.

Além do RDP se apresentam a banda austríaca Belphegor e as nacionais Krisiun, Crypta, Nervochaos, Vazio e Cerberus Attack.

Adquira o ingresso antecipado aqui, já no 3º lote: https://www.clubedoingresso.com/evento/koolmetalfest.

CD e vinil colorido

Necropolítica será lançado no Brasil em CD pelo selo Shinigami (compre aqui: https://www.lojashinigamirecords.com.br/consulta.php?palavra=Ratos+) e em vinil pela Fuzz On Discos, com pré-venda a partir desta sexta (13) e entrega a partir de 29 de julho: www.fuzzondiscos.com.br.

O vinil também será lançado na Europa, Japão e EUA, além de CD e vinil na Itália e na também na Argentina. São três opções de cores do vinil: vermelho (500 cópias), transparente esfumaçado (400 copias) e splatter (100 cópias).

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Iggy Pop explica o que aprendeu com Mick Jagger e Jim Morrison

Desde que Iggy Pop tem se apresentado, ele ultrapassou os limites e testou o limite. Em raras ocasiões, sua veia selvagem colocou Iggy em apuros, e ele aprendeu com os melhores em Mick Jagger e Jim Morrison.

O desastre do The Doors em Michigan (aos olhos fascinados de Iggy Pop).

Embora Jagger nunca tenha agido de forma tão perturbadora quanto Morrison no palco, ele sabia exatamente como levar o público a fazê-los cair em um estado de histeria total. Por muitos anos, os shows dos Rolling Stones tornaram-se uma abreviação para o caos, principalmente pela maneira travessa que o vocalista orquestrava aqueles à sua frente.

Os shows selvagens dos Stooges rapidamente conquistaram uma reputação semelhante à dos Stones, e isso se deveu a Iggy, que havia recebido dicas dos melhores do ramo. Ele queria que seus shows fossem deliberadamente ásperos e com um elemento de perigo pairando no ar.

No entanto, como a carreira de Iggy começou depois que seus antecessores já reinaram supremos, seria seguro se ele simplesmente replicasse suas travessuras. Em vez disso, o frontman teve que dar um passo adiante, pois os limites foram movidos.

Em 2007, Iggy Pop se abriu sobre sua influência em sua carreira e como ele gosta de ser uma presença dominante ao se apresentar. O cantor disse à Rolling Stone: “De Morrison, era a maneira de ficar ao microfone, a postura e a pegada. Ele pendurou no suporte. Ninguém mais fez isso. A outra coisa é que ele pode fazer qualquer coisa, e ele não respeita você. Você não recebe respeito por dez dólares, desculpe! De Mick Jagger, seria ele se movimentando enquanto toca a música. Além disso, a voz como um fator irritante. Quando ele cantava, era o oposto de bom.

Ele continuou: “Eles foram tão longe quanto precisavam ir. Se eu ia trabalhar na mesma direção, tinha que ir mais longe. Mas isso não significa necessariamente mais extremo. Os Stooges foram mais longe em nossas influências. Ouvimos [a banda de acid-folk] Pearls Before Swine e [o compositor de vanguarda] Harry Partch. A batida em '1969' não é uma batida de Bo Diddley. É direto de um disco de dança do ventre. Pedra do Crescente Fértil."

Embora musicalmente os Stooges talvez parecessem ter influências amplas, Iggy Pop incluiu Jagger e Morrison em sua lista de cantores favoritos de todos os tempos. Em seu ranking, ele teve os ingleses em 11º e o frontman do The Doors em 18º.

Iggy usou habilmente a influência de ambos os frontmen. Ao contrário de muitos outros de sua geração, ele adicionou um ingrediente extra à mistura, que criou toda essa nova e excitante entidade que homenageou suas inspirações sem entrar em território de tributo.

Via FAR OUT.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Ex-Sex Pistols vencem batalha legal contra Johnny Rotten para usar músicas em programa de TV

Dois ex-Sex Pistols ganharam uma batalha na Suprema Corte contra o ex-vocalista Johnny Rotten sobre o uso de músicas da banda punk em uma futura série de televisão.

O ex-baterista do grupo punk, Paul Cook, e o guitarrista, Steve Jones, processaram o ex-vocalista da banda, Johnny Rotten, cujo nome verdadeiro é John Lydon, para permitir que suas canções fossem usadas no drama de TV 'Pistol', dirigido por Danny Boyle.

A série de seis partes, que está sendo feita pela Disney e deve ir ao ar no próximo ano, é baseada em um livro de memórias de 2016, de Jones, chamado Lonely Boy: Tales From A Sex Pistol.

Em uma decisão na segunda-feira, Sir Anthony Mann concluiu que Cook e Jones tinham o direito de invocar “regras de votação por maioria” contra Lydon.

Mas Lydon, que já havia dito ao Sunday Times que acha que a série é "a m**** mais desrespeitosa que já tive de suportar", argumentou que as licenças não podem ser concedidas sem o seu consentimento.

Seus advogados disseram ao tribunal que o acordo nunca foi usado e que ele o considera um “botão nuclear” para os reclamantes e sua gerente, Anita Camerata, “imporem seus desejos” sobre ele.

Eles disseram que ele tinha uma "aversão profunda e veemente quanto a se tornar um 'prisioneiro' de uma maioria hostil". Em seu depoimento ao tribunal, o Sr. Lydon disse que o acordo “cheira a algum tipo de trabalho escravo”.

Os advogados de Cook e Jones argumentaram que não deveria haver qualquer disputa sobre se o acordo permite que as decisões de licenciamento sejam feitas “por maioria” e disse que Lydon está violando o Acordo de Membros da Banda ao se recusar a fornecer seu consentimento.

Eles também disseram que o tribunal não podia aceitar seu depoimento como verdadeiro porque é uma “simples mentira” e ele não poderia “genuinamente ter acreditado que o acordo nunca foi eficaz”.

Eles disseram ao tribunal que a reivindicação do Sr. Cook e do Sr. Jones é apenas contra o Sr. Lydon, e que o membro original da banda, Glen Matlock, que foi substituído por Sid Vicious, e representantes do espólio de Vicious, que morreu em fevereiro de 1979, apoiaram sua posição.

Os Sex Pistols foram formados em 1975 e se separaram em 1978, mas fizeram shows ao vivo juntos várias vezes desde então, o mais recente em 2008.

Via ITV.