Confraria Floydstock: opinião
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Os melhores álbuns de 2020, segundo a Confraria Floydstock

Parecia que ele não teria fim, mas o tenebroso e angustiante 2020 chegara aos seus últimos instantes.

Como uma das coisas que salvou este ano denso fora a música, a Confraria Floydstock, mantendo a tradição de fim de ano, traz aqui a sua lista dos 20 melhores álbuns destes 12 meses.

Obviamente, que como toda lista, a da Confraria Floydstock tem e muito do gosto pessoal dos editores que vos escreve, além do que você deve ter visto rolar por aqui em 2020, bem como talvez lhe surpreendendo com esse ou aquele disco incluso na relação.

Lembrando que só selecionamos álbuns de estúdio, que contenham canções até então inéditas e neste ano de 2020, duas "menções honrosas" ao final, de 2 álbuns Ao Vivo.

Os álbuns que estiverem com link, significa que há matéria e/ou resenha sobre eles aqui na Confraria, basta clicar e conferir.

Não se atenha tanto às colocações dos álbuns, pois rankear nestes casos é algo meramente subjetivo.

Obviamente que há inúmeros outros bons álbuns que também poderiam ser lembrados aqui e você, caro leitor pode ficar a vontade para citá-los.

Ao final da lista, disponibilizamos uma playlist no Spotify, contendo todas as canções dos vinte álbuns selecionados abaixo, somados dos álbums Ao Vivo, como  "Menção Honrosa". São 284 canções em mais de 22 horas. Uma bela parte do universo do rock e metal que a Confraria Floydstock entende estar repleta de qualidade.

Todos os álbuns foram ouvidos e escolhidos por André Floyd e/ou Renato Azambuja.

LEIA TAMBÉM:

Os melhores álbuns de 2019, segundo a Confraria Floydstock

Os melhores álbuns de 2018, segundo a Confraria Floydstock

Os melhores álbuns de 2017 escolhidos pela Confraria Floydstock.

Enfim, para a Confraria Floydstock os melhores álbuns de 2020 foram:

20 - Bruce Springsteen – "Letter to You"

Após 6 anos, The Boss volta a lançar um trabalho acompanhado pela E Street Band, num disco todo ele gravada no estúdio na casa do músico. Bruce acerta novamente.

19 - AC/DC – "Power Up"

Este certamente fora o álbum mais previamente especulado deste lista. E quando tudo começava a adormecer e a cheirar boato, eis que o novo álbum do AC/DC, dedicado ao seu saudoso co-fundador, Malcolm Young, chegara em novembro de 2020. Não chega a ser brilhante, mas vale o registro histórico.

18 - Sepultura - "Quadra"

Seguindo a linha de seu predecessor, "Machine Messiah", a banda brasileira sequencia os trabalhos ousando e evoluindo sempre, sem nenhuma amarra aos tempos que o consagrara, e isso está longe de ser um problema para eles.

17 - Amberian Dawn - "Looking for You"

Symphonic Metal com nuances de ABBA, pode? Sim e com direito a um cover dos próprios. Aqui o Amberian Dawn se propusera a contrabalancear seu peso com a leveza pop.

16 - Bob Dylan - "Rough and Rowdy Ways"

Eis que, beirando os 80 anos, o mestre nos apresenta um álbum duplo, com direito a uma faixa de 17 minutos, trazendo uma ordem cronológica. Coisa de gênio.

15 - Eleine - "Dancing In Hell"

Todo o vigor do power metal banhado a metal sinfônico ou vice-versa. Em seu 3º álbum de estúdio, a banda sueca soa vibrante e cativante.

14 - Cherie Currie – "Bvlds of Splendor"

O novo álbum da 'Cherry Bomb' não deseja em nenhum momento reverenciar seu passado nas Runaways mas explica sua importância no sucesso da banda. Sua voz e vigor, acrescidos agora de maturidade, conseguem ofuscar as participações especiais de convidados do calibre de Matt Sorum, Duff McKagan, Slash, Billy Corgan, Juliette Lewis, entre outros.

13 - Sons of Apollo - "MMXX"

2º full-lenght da megabanda montada por Mike Portnoy, este trabalho chegara soando mais "democrático" do que seu antecessor, com as partes funcionando mais para o todo. Metal progressivo eficazmente coeso.

12 - Deep Purple - "Whoosh!"

Novamente sob a tutela de Bob Ezrin na produção, a lendária banda púrpura destila toda a sua categoria de décadas num álbum solene e elegante.

11 - Kiko Loureiro - "Open Source"

Aqui temos a maestria da música instrumental no 5º álbum de estúdio do guitarrista, ex-Angra e atualmente no Megadeth, pingando inclusive uma tenra brasilidade às canções. Como cereja do bolo, a participação especial do ex-Megadeth, Marty Friedman, às 6 cordas.

10 - Steve Howe - "Love Is"

A não ser que Howe consiga ultrapassar este já invejável feito, Love Is é provavelmente o melhor álbum solo de um dos maiores cânones do rock progressivo. Além disso, Howe deu à luz um conjunto de canções acessíveis até aos 'não iniciados', intercalando faixas vocais e instrumentais igualmente inspiradas. Destaque para a faixa "Love is a River"

9 - Derek Sherinian – "The Phoenix"

Acompanhado por uma constelação de convidados, como Steve Vai, Zakk Wylde, Billy Sheehan, Kiko Loureiro, Joe Bonamassa e outros, o tecladista do Black Country Communion e do Sons of Apollo (com quem também figura nesta lista), navega aqui, com toda a sua classe, pelo metal, prog e jazz fusion.

8 - Lucifer - "Lucifer III"

Há 2 anos, "Lucifer II", antecessor deste trabalho, entrava nesta mesma lista em 2018. Agora, a banda sueca, capitaneada pela frontwoman Johanna Sadonis, repete o feito com seu infalível hard rock com ar setentista que em momento algum soa datado, muito ao contrário, cada vez mais moderno.

7 - Joe Bonamassa – "Royal Tea"

Uma espetacular ode ao blues bretão. Joe Bonamassa, outro que aparece por aqui pela 2ª vez, não se cansa de nos brindar com trabalhos de ótimos para estupendos.

6 - Fish - "Weltschmerz"

O trabalho, que levara 3 anos para ser concluído, traz a parceria do ex-vocalista do Marillion com Steve Vantsis e Robin Boult e conta ainda com as contribuições de John Mitchell, Foss Paterson, David Jackson. Prog e experimentalismo da melhor qualidade.

5 - Paul McCartney - "McCartney III"

Quando Paul McCartney coloca o próprio nome no título de seu álbum, isso significa que não é o seu alter ego, Sargento Pimenta, o magnífico entertainer, quem conduz o show, mas o próprio Paul, bem mais, digamos, 'nu' e ousado. Paul McCartney III não decepciona, e ainda traz uma inédita nota que nem esse o inabalável otimista pode omitir acerca dos tempos atuais.

4 - Oceans of Slumber - "Oceans of Slumber"

Campeão de 2018 aqui na Confraria Floydstock, o Oceans Slumber, da fabulosa frontwoman Cammie Gilbert retorna, novamente na parte de cima da lista, com este álbum auto-intitulado imerso em climatizações, arranjos belos e complexos e a magnífica densidade visceral construída através do canto de sua vocalista.

3 - Ozzy Osbourne - "Ordinary Man"

Talvez este não seja o melhor álbum solo do Madman, mas certamente é o mais importante, devido ao fato do eterno frontman do Black Sabbath ter superado todo tipo de adversidade no tocante a sua saúde para fazê-lo e finalizá-lo. Não fosse isso o bastante, o Príncipe das Trevas nos entregara um álbum fascinante, dessa vez mais próximo da sonoridade da banda que o consagrara e ainda contando com a especialíssima participação de Sir Elton John.

2 - Ayreon - "Transitus"

Conceitual. Divina ópera-metal composta pelo multi-instrumentista Arjen Lucassen, passeando pelo prog-metal, metal sinfônico, hard rock e erudito, contando com um vasto time de narrador, músicos e vocalistas de primeira linha.

1 - Nightwish - "Human :||: Nature"

Ave Tuomas Holopainen!!! O líder do Nightwish exala crescentemente todo o seu poder criativo e intelectual por meio de sua banda, deixando entrever cada vez mais seu amor pelo evolucionismo e pelo prog rock, que salutarmente impregnara o symphonic metal, estilo nato do grupo, que aqui triplicara os seus vocais através de Floor Janesn, Troy Donocley e Marko Hietala.

Menções Honrosas (Álbuns Ao Vivo)

Nick Mason's Saucerful of Secrets - "Live at the Roundhouse"

O eterno baterista floydiano resgatara com sua banda, neste concerto que dra origem a uma turnê e um CD/DVD Ao vivo, toda a aura floydiana dos tempos pré-Dark Side of The Moon, revivendo o Criador, Syd Barrett.

 Metallica - "S&M²"

Celebrando os 20 anos de "S&M", concerto em que o Metallica dividira o palco com a San Francisco Symphony, a banda repetira a dose, com uma produção maior e incluindo canções que não estiveram no setlist da apresentação de 1999. Tudo isso registrado em CD/DVD.

Ouça a Playlist "Os melhores álbuns de 2020, segundo a Confraria Floydstock", contendo todos os álbuns da lista, em sequência:

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Os álbuns do Nightwish, do pior para o melhor, segundo a Metal Hammer

Uma jornada através do catálogo da maior banda de metal sinfônico do mundo, Nightwish

Desde sua formação em 1996, o Nightwish se transformou de sonhadores rudes com grandes ideias, na banda de metal sinfônico de maior sucesso do mundo. Para ajudar a navegar em sua jornada por sua discografia épica, classificamos seus nove álbuns de estúdio do pior ao melhor.

9. Angels Fall First (1997)

A estreia dura e rápida do Nightwish não envelheceu bem. Compositor, aranjador e idealizador. Tuomas Holopainen é muitas coisas, mas um cantor não é uma delas. Este álbum fora a única vez em que ele assumira as funções de co-vocalista, e não vamos começar com a luxúria estranha de "Nymphomaniac Fantasia". Grandes designs são evidentes mesmo neste estágio inicial e os vocais operísticos da cantora original Tarja Turunen são sempre impressionantes, mas essas faixas simples mostram pouco da pompa e esplendor no futuro.

8. Wishmaster (2000)

Fechando a porta para o capítulo inicial de power metal da banda, Wishmaster viu a banda crescendo em confiança, mesmo que seja sua coleção de músicas mais esquecíveis. Continuando com a atmosfera mágica de Narnia que a banda começou a construir em seu segundo álbum, "Oceanborn", na faixa "Dead Boy's Poem", "Wishmaster" é notável no momento em que Tuomas começou a explorar o conceito de Peter Pan de infância perdida e inocência, temas que ele recorreria novamente no trabalho posterior do Nightwish.

7. Oceanborn (1998)

O fato de o Nightwish nos dar "Oceanborn" pouco mais de um ano após sua estreia mal cozida é notável. Claro, ainda é o som de uma banda se recuperando, mas tudo aqui é um grande passo à frente. Enraizado em power metal galopante, a opulência sinfônica dos anos posteriores não chegaria em alguns álbuns ainda. Faixas como "Stargazers" e "Gethsemane" começam a entregar as grandes ideias de Tuomas, enquanto "Sleeping Sun" permanecera como sua melhor canção épica, até uma certa de 25 minutos que chegaria 17 anos depois. Mais sobre isso mais tarde.


6. Human :||: Nature (2020)


Um álbum duplo, com o segundo disco quase completamente instrumental, "Human: //: Nature" faz você trabalhar duro para descobrir seus encantos. A atual cantora Floor Jansen recebe mais liberdade em seu 2º trabalho com a banda para permitir que seu alcance formidável corra solto, enquanto as melodias e composições de faixas como "Shoemaker", "Pan" e "Tribal" são as mais progressivas e complexas até agora.


5. Century Child (2002)


Com "Century Child", o Nightwish realmente entrou em ação. Fazendo uma ponte entre o power metal e as inclinações sinfônicas, foi a primeira vez da banda gravando com uma orquestra, e introduziu o baixista de barba de garfo Marco Hietala à mistura. Sua série de abertura fantástica da gótica "Bless The Child", as melodramáticas "End Of All Hope" e "Dead To The World," a linda "Ever Dream" e a furiosa "Slaying The Dreamer" é um das melhores em seu catálogo inicial.


4. Dark Passion Play (2007)


Após sua separação confusa e muito pública com Tarja, que foi demitida em 2005 por meio de uma carta aberta, o próximo álbum da banda foi um caso surpreendentemente intenso. Tuomas derramou cada gota de sua raiva, mágoa e decepção na majestade sombria do épico glorioso, "The Poet And The Pendulum" e "Bye Bye Beautiful", mas este também é um registro de beleza devastadora. O estilo pop da nova cantora Anette Olzon funciona perfeitamente nesses momentos mais bonitos, enquanto alguns dos lirismos mais impressionantes de Tuomas estão em exibição aqui - “O que há de bom nela será meu campo de girassóis” (Eva). “Seria um exagero dizer que Dark Passion Play salvou minha vida”, ele nos diria mais tarde. “Mas definitivamente salvou minha saúde mental.


3. Endless Forms Most Beautiful (2015)


O primeiro álbum do Nightwish com Floor Jansen é uma exploração de alto conceito da ciência evolucionária, narrada pelo cientista Richard Dawkins e um triunfo absoluto. Desde a aceleração total de "Shudder Before The Beautiful" e a bombástica e cinematográfica "Weak Fantasy", aos floreios celtas de "Elan" ao hino de afirmação da vida de "Alpenglow", é um fluxo constante de brilho. Depois, há "The Greatest Show On Earth", um show-stopper de 25 minutos que a maioria das bandas só poderia sonhar em escrever. Não é nenhuma surpresa que este foi o álbum que transformou o Nightwish em headliners de festivais e arenas.


2. Once (2004)


O álbum que apresentou o Nightwish para as massas. "Once" brandia muitas das canções mais famosas da banda e viu Tarja na forma de sua vida: a tempestuosa "Dark Chest Of Wonders", a stomper "Wish I Had An Angel", o hino de inverno "Nemo" e seu momento marcante da carreira, a extraordinária "Ghost Love Score". Com "Once", a banda aperfeiçoou seu drama sinfônico e deixou seus colegas comendo poeira. Para iniciantes, este é o melhor lugar para começar.


1. Imaginaerum (2011)


Após a escuridão de "Dark Passion Play", com "Imaginaerum", Nightwish voltou para a luz. Descrito por Tuomas como uma “celebração da vida”, seu sétimo álbum foi uma maravilha esparramada, de olhos arregalados, que explorou as profundezas de cada emoção e experiência humana, jogou tudo na parede e assistiu tudo grudar. Cada membro da banda faz a performance de suas vidas, em particular, Anette Olzon soa completamente em casa liderando a banda neste ponto, enquanto estilisticamente, este é o momento experimental mais ambicioso de Tuomas até agora. Para cada deslumbrante Nightwish com esteróides, como "Storytime", "Ghost River" e "I Want My Tears Back", há uma reviravolta como o jazz lounge de "Slow, Love, Slow" ou terror assombrado de circo de "Scaretale", enquanto "Last Ride Of The Day" dera à banda seu hino mais colorido. Apenas um ano após o lançamento, e sete anos após a partida amarga de Tarja, Anette partiria em uma chuva de fogo igualmente dramática, mas ela deixou para trás a obra-prima da banda.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Os 50 melhores álbuns de rock e metal de 2020, segundo a Classic Rock Magazine; ouça a playlist

A renomada e especializada revista bretã Classic Rock Magazine, lançara a sua edição especial trazendo os seus escolhidos melhores álbuns de rock e metal de 2020, com direito a uma playlist contendo uma canção de cada trabalho.

Confira nas linhas abaixo os 50 discos escolhidos pela revista e a seguir a playlist, via Spotify:

50 British Lion – The Burning

49 Green Day – Father of All Motherfuckers

48 The Lemon Twigs – Songs For the General Public

47 Cats in Space – Atlantis

46 Brothers Osborne – Skeletons

45 Bon Jovi – 2020

44 The Outlaws – Dixie Highway

43 Blues Pills – Holy Moly!

42 Corey Taylor – CMFT

41 Songhoy Blues – Optisme

40 Low Cut Connie – Private Lives

39 Ginger Wildheart – Headzapoppin

38 Those Damn Crows – Point of No Return

37 Fiona Apple – Fetch the Bolt Cutters

36 Greg Dulli – Random Desire

35 Black Stone Cherry – The Human Condition

34 FM – Syncronized

33 Steve Earle & The Dukes – Ghosts of West Virginia

32 James Dean Bradfield – Even in Exile

31 Wishbone Ash – Coat of Arms

30 Cherie Currie – Bvlds of Splendor

29 Starbenders – Love Potions

28 The Allman Betts Band – Bless Your Heart

27 Drive-By Truckers – The New OK

26 Biffy Clyro – A Celebration of Endings

25 Stone Temple Pilots – Perdida

24 The Texas Gentlemen – Floor It!!!

23 All Them Witches – Nothing As the Ideal

22 Tyler Bryant and The Shakedown – Pressure

21 The Dirty Knobs – Wreckless Abandon

20 The Cadillac Three – Country Fuzz

19 The Pretenders – Hate For Sale

18 Metallica – S&M2

17 Jason Isbell & The 400 Unit – Reunions

16 Ozzy Osbourne – Ordinary Man

15 Larking Poe – Self Made Man

14 Massive Wagons – House of Noise

13 Fantastic Negrito – Have You Lost Your Mind Yet?

12 Bob Dylan – Rough and Rowdy Ways

11 Bob Mould – Blue Hearts

10 Blue Öyster Cult – The Symbol Remains

9 The Struts – Strange Days

8 H.E.A.T. – H.E.A.T. II

7 Pearl Jam – Gigaton

6 Nick Mason’s Saucerful of Secrets – Live At The Roundhouse

5 Bruce Springsteen – Letter to You

4 Joe Bonamassa – Royal Tea

3 Deep Purple – Whoosh!

2 Fish – Weltschmerz

1 AC/DC – Power Up

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Pink Floyd: a trilha sonora da vida de Nick Mason

Via NME

A primeira música pela qual me apaixonei:

Elvis Presley – ‘Blue Suede Shoes’  

O início do rock 'n' roll. Elvis estava mudando um pouco as coisas de Bill Haley. Bill Haley foi o primeiro disco que comprei e quase certamente o comprei em '78 [polegadas], não em '45, o que denuncia a minha idade!

O primeiro álbum que comprei:

Elvis Presley – ‘Elvis Presley’  

Aquela foto em preto e branco de Elvis e 'Elvis Presley' em letras verdes neon e rosa neon, o primeiro álbum que ele fez. Tinha ‘Blue Suede Shoes’ e ‘Hound Dog, ‘Ring My Telephone ’, era totalmente recheado com seus primeiros sucessos. Ainda era um período em que você comprava discos em uma loja de eletrodomésticos, em algum lugar nos fundos da loja, depois de passar por todas as máquinas de lavar e geladeiras, havia um estande com discos. Eu teria comprado lá, em vez de uma loja de discos com aquelas cabines de secar de cabelo estranhas."

O primeiro show que assisti:

Tommy Steele - Hackney Empire, 1957

Isso também foi apropriadamente bizarro. Tommy Steele era a atração principal do Hackney Empire e eu devia ter cerca de 13 anos. Eu estava de uniforme escolar com minha mochila e fui para lá depois da aula. Deve ter sido uma apresentação inicial. Não era uma coisa de música completa, era quase como um music hall, havia comediantes ou malabaristas ou todos os tipos de outras coisas horríveis que era preciso assistir antes de nosso Tommy aparecer.” 

A música que redescobri durante o lockdown:

Family – ‘Burlesque’

Uma das coisas que eu fiz [durante o lockdown] foi mover minha coleção de vinis de Londres para Wiltshire porque eu finalmente consegui instalar um equipamento de toca-discos [na minha casa] lá. Peguei todos os meus vinis - provavelmente há 100 coisas diferentes para redescobrir quando você está trabalhando em pilhas de vinil. Mas redescobrir Family, é em parte aquela coisa de que você se lembra da música e se lembra de ser amigo deles na época, eles deviam estar fazendo shows na mesma época. ‘Burlesque’ absolutamente trouxe de volta algumas memórias e eu amo a sensação da faixa.

A música que me leva de volta à minha adolescência:

Duane Eddy – ‘Peter Gunn’

Foi a primeira coisa que escolhi na guitarra. Não sou guitarrista, foi possivelmente a primeira e a última coisa que escolhi em uma guitarra. Pouco depois disso foi o início da formação do [Pink Floyd]. Não me tornei guitarrista porque alguém já tinha uma. Não sabíamos como tocar nenhum desses [instrumentos], mas ficou combinado que um cara já tinha uma guitarra, então isso significava que eu tinha que comprar outra coisa. A última coisa que eu precisava ser era baixista, então comprei uma bateria.

A música que eu gostaria de ter escrito:

Bob Dylan – ‘Blowin’ In The Wind’  

Qualquer coisa de Bob Dylan, na verdade. O maior compositor de todos os tempos. Era tão radicalmente diferente de todo mundo”.  

A música que não consigo tirar da minha cabeça:

Pink Floyd – ‘Comfortably Numb’

Se você estiver gravando em um estúdio, quando terminar a faixa, pelo resto da noite você verá ela remando em seu cérebro sem parar. Não importa realmente se é algo de que você realmente gosta ou algo para o qual você está apenas tentando encontrar uma parte de bateria. O verso inicial de ‘Comfortably Numb’ tem uma parte de bateria muito, muito esparsa, então você sempre tenta ... não repetir exatamente, mas repetir com o mesmo peso. Há muitas batidas faltando nela, essa é uma das grandes coisas sobre ela, não inicia imediatamente um padrão que continua ao longo de toda a peça.

A música que não consigo mais ouvir:

Eagles – ‘Hotel California’:

É uma ótima música, vamos deixar isso claro, eu na verdade a gravei para alguém, essa banda de tributo incrível chamada The Illegal Eagles, nós a gravamos para a festa de um amigo. Mas era tão popular quando [Pink Floyd] estava em turnê pela América que cada carro em que entramos, cada estação de rádio estava tocando mais ou menos no modo repeat. Como estávamos no carro muitas vezes por algumas horas, era uma daquelas coisas em que você pensava: ‘Eu realmente poderia viver sem ouvir essa música novamente’. Você achava que o mundo estava mudando e os Eagles iriam comandá-lo.

A música que me faz querer dançar:

Sly and the Family Stone – ‘I Want To Take You Higher’ 

Eu não sou um dançarino muito bom, mas seria algo envolvendo Tony Thompson ou Greg Errico, que são os bateristas do Chic and Sly Stone. Devido ao lockdown, meus dias de dança parecem ter estado em espera. Deixe-me garantir a você, a única coisa com a qual não estou preocupado é voltar a dançar!"

terça-feira, 7 de julho de 2020

Syd Barrett: O Pink Floyd não poderia ter começado sem ele


"Havia um rei que governou a terra
Sua Majestade estava no comando
Com olhos prateados a águia escarlate
Banhou de prata as pessoas
Oh, Mãe, me conte mais
Por que você tinha que me deixar lá
Suspenso no meu ar infantil
Esperando
Você só tem que ler as linhas
Elas estão rabiscadas em preto e tudo brilha
Atravessando a maré com sapatos de madeira
Com sinos para contar ao rei as novidades
Mil cavaleiros místicos planam
Mais alto do que há algum tempo
Imaginando e sonhando
As palavras têm diferentes significados
Sim, elas tinham
Por todo o tempo gasto naquela sala
As casas de bonecas escuras, velho perfume
E os contos de fadas me seguraram acima das nuvens
Da luz do sol flutuando
Oh, Mãe, me conte mais
Conte-me mais
Ah
Ah
Ah"

"Matilda Mother" (Syd Barrett, IN Pink Floyd - "The Piper At Gates Of Dawn", 1967, By EMI).

Eram 7 de julho de 2006, o criador do Pink Floyd morria na sua casa em Cambridge, vítima das complicações do diabetes e pancreatite, aos 60 anos, morava só, mas sob cuidados constantes de sua inseparável irmã Rosemary, que já o assistia há 15 anos, desde a morte da mãe Winifred em 1991.

Syd Barrett deu nome, criou o conceito, o estilo e colocou o Pink Floyd no status das grandes bandas surgidas na década de 60, merecendo aplausos e bastantes atenção dos Beatles, Paul e Ringo sobretudo, que iam assistir as gravações do álbum de estréia do Pink Floyd, que contém a música que iniciou esse texto.

O disco era contemporâneo ao icônico "Sgt. Pepers And The Lonely Hearts Band", tendo sido lançado dois meses mais tarde e não menos psicodélico, muito pelo contrário.

Já nos singles desde 1965, com "Arnold Layne" e "See Emily Play", que estouraram na parada britânica, Barrett mostrava um estilo novo e proprio, cristalizando de uma vez por todas a psicodelia na música britânica, tratando temas com leveza ímpar.

Exemplo disso está na letra da música "Matilda Mother", supracitada, deixando entrever a infância doce e feliz no seio de sua mãe que lhe contava histórias para dormir, bem diferente da mãe do colega de escola e de Pink Floyd, Roger Waters, que fora criado por mãe rígida e superprotetora.

David Bowie, à época da morte de Barrett, declarou toda sua idolatria pelo gênio de Cambridge, atribuindo a ele o despertar de seu gosto pela arte.
Para Bowie, Barrett trazia consigo um Peter Pan eterno, um grande poeta fora de seu tempo, perdido no século XX.

Syd Barrett era o britânico atípico, longe da rigidez e cisura do inglês, ele se apresentava a alguém pela primeira vez com sorriso radiante, corpo solto e dizendo feliz: "Hi I'am Syd", coisa nada comum entre os bretães.

Como em toda sua arte, Barrett era um guitarrista dotado de imenso prazer em ousar e experimentar, gostava por exemplo de deixar ímãs caírem no braço do instrumento para gerar uma singular distorção.

Syd era isso, pouco lhe importava o duo "fortune-fame", ele tinha a arte inerente e queria expô-la na medida em que fosse surgindo, e mais para frente já queria mostrar algo além de música, suas pinturas e assim por diante.

Só que o mercado fonográfico e o showbiz não funcionam assim, comprimem a criatividade do artista, os tornando um macaco de auditório.

Barrett não estava pronto para lidar com isso, nem tinha interesse em se moldar para isso é muito menos a essa altura o suporte egóico e maternal para tal.

Como resultado, o lisergismo da época o consumiu, LSD, Mandrax foram fritando sua mente, culminando na esquizofrenia tóxica que o levou ao isolamento e "demissão" do Pink Floyd sendo afastado em janeiro e oficialmente desligado em abril de 1968.

Muitos fãs de Pink Floyd pouco olham para o criador, logicamente o Pink Floyd setentista se agigantou, nesta fase fizeram os álbuns milionários e de espetacular qualidade, sobretudo o álbum dos álbuns "The Dark Side Of The Moon", que os levou ao topo.

Mas lá estava Barrett, na tentativa de transcenderem a sua origem, mesmo assim ali estava ele em essência nas canções "Any Colour You Like" e "Brain Damage", mais uma vez reaparecendo literalmente em todo o seguinte álbum "Wish You Were Here" e tendo inspirado a loucura vista no personagem Pink, da ópera-rock do grupo, "The Wall".

Roger Waters disse: "o Pink Floyd não poderia ter começado sem ele, mas não poderia continuar com ele".

De fato, ele não tinha condições de seguir com o grupo, nem mesmo "A La Brian Wilson", ficando um tempo ajudando somente nas composições, e nem tinha tal interesse, mas afirmo aqui, que sem Barrett e sem o sucesso e respeito que "The Piper At Gates Of Dawn" conquistou, o Pink Floyd não teria sequer chegado aos anos 70, e se tivessem lançado somente este álbum, ainda assim seriam lembrados no mundo cult.

Barrett não fez parte do "famoso" Clube dos 27", de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse que deixaram a vida aos 27 anos de idade, embora simbolicamente Syd poderia ser incluído neste contexto por ter "morrido" como artista em 1973, aos 27, ano em que seria sua última entrevista e encerrou as atividades públicas, ficando a partir daí, recluso, aos cuidados da mãe e posteriormente da irmã, se tornando uma lenda.

Ouçam o criador na playlist "SydBarrett - A Obra do Criador", no link abaixo:


sexta-feira, 6 de março de 2020

Campo Grande: uma cidade de pôr o chapéu!

Foto: Midiamax

Longe já se vai o tempo em que grandes projetos como Blues Band, Bêbados Habilidosos e O Bando do Velho Jack começaram pequenos, do nada, e alcançaram fama local e até nacional, arrebanhando gerações de fãs.

Desde então trava-se uma batalha campal (com trocadilho, por favor) para decidir se Campo Grande é a Capital do Blues, do Southern Rock, etc., a mesma que se trava pra saber se o tuiuiú e a capivara são seus.

Não se chegou a veredito algum.

A capivara atravessou a rua, o tuiuiú voou, tem-se grandes nomes do southern em outros Estados e, afinal de contas, o blues nasceu no delta do Mississipi, até onde eu sei....

Campo Grande luta dia após dia por uma identidade que sempre lhe escapa.

E essa luta já não pertence aos mortais, ela hoje é travada, como na mitologia, por deuses, gigantes e titãs. Geralmente, também como na mitologia, o maior beneficiário é o grupo vencedor.
É uma discussão sem fim sobre quem veio antes, o ovo ou a galinha. Aí não sobra espaço para o pato, o ganso, a ovelha, ou quem sabe até para o cão pastor.

A diversidade perde. E diversidade nada mais é que um nome pomposo para abertura, mudança, novidade, inovação.

São os donos do chapéu!

Geralmente, como acontece com os 'coronéis' da nossa MPB nacional, só se beneficiam aqueles que ficam sob sua aba. Há aqui, também, uma promiscuidade entre os ritmos regionais e o rock.
Marcelo Nova uma vez disse que o roqueiro brasileiro é engraçado, suas influências são Caetano, Gil e Chico, quando deveriam ser Elvis, Lennon e Page.

Mas por que isso é chamado de promiscuidade e não de diversidade? Porque em Campo Grande isso é uma regra sem exceção, pelo menos aos que almejam o sucesso.

São Paulo que é São Paulo, se pensarmos bem, não é famosa pela diversidade musical e cultural, pela cozinha internacional, pelo seu lado cosmopolita?
Será que a cidade precisa ser implodida e começar de novo pra achar a tal identidade? Ou basta retirar os antolhos e olhar pro lado, abraçar a diversidade e constatar que Campo Grande contempla muitas outras vertentes, ao menos no rock?

O exemplo perfeito do que digo é o do Arizona Nunca Mais, uma banda fantástica de Indie Rock que quando vi pela primeira vez no palco do extinto Barfly jurei que fosse de fora (ó o preconceito!).
Eles são tudo o que você gostaria de ver num palco: peso, energia, química e virtuosismo. E pasme você, após abordar o vocalista, Heitor, descobri que TODAS as canções - recheadas de enredo, imaginação e humor - eram autorais!

Canções suficientes pra pelo menos um álbum completo, compostas no decorrer de apenas um ano.
Não sei se é coincidência, mas logo Heitor abandonou a roupa social tipica do Indie e adotou um chapéu. Na sequência, assumiu os vocais da banda Naip, uma banda de covers famosa localmente, e os shows do Arizona passaram a rarear.

Fiquei sabendo também que naquele início eles participaram de um concurso de bandas em Mato Grosso e levaram o segundo lugar.

Não me surpreendi nada. Aliás, me surpreendi de não terem levado o primeiro!

Enfim, hoje você consegue assisti-los muito esporadicamente em bares considerados 'alternativos' em Campo Grande, como o Holandês Voador e o Drama.

Nada de Blues Bar ou Barô. Eles nunca puseram os pés no circuito 'Mainstream' da cidade.
Também não posso sair dizendo que, ao se afastarem dos estilos mais harmoniosos à cena local, ao ousarem buscar seu lugar ao sol, ultrapassando a confortável fronteira delimitada pela sombra da aba do Grande Chapelão Divino como um Prometeu, tentando trazer a luz aos mortais, eles tenham sido exilados.

Talvez tenha sido uma opção da própria banda.

De qualquer forma, reina aqui a paz de uma 'capital provinciana', como Campo Grande é conhecida.
E isso não tem nada a ver com Rock'n'Roll.

Texto de Juan 'Abe' A. Mozart, direto da Espanha para a Confraria Floydstock

domingo, 19 de janeiro de 2020

Rock in Rio: o dia 19 de janeiro de 1985 talvez tenha sido o mais importante do festival


Que a 1ª edição do Rock in Rio fora a mais relevante e também a mais romantizada, é uma eterna discussão, embora não descabida.

Mas dentre os 10 dias da versão primal do evento, o penúltimo, ou a penúltima noite talvez sintetizara toda a importância daquela ocasião.

O que poderia ser chamada nas edições recente de o "Dia do Metal", o dia 19 de janeiro de 1985 trouxera ao palco do Sr. Roberto Medina, Baby Consuelo e Pepeu Gomes (este felizmente abusando de seu virtuosismo guitarrístico), Whitersnake, Scorpions, Ozzy Osbourne e AC/DC.

Com medo de ser vaiado, o Tremendão Erasmo Carlos resolvera jogar a sua apresentação para a noite seguinte.

Todas as atrações internacionais desta noite, como também a maioria em todo o festival, debutava em palcos brasileiros.

Sim, o Rock in Rio jamais fora só rock mas a presença inédita de uma gama de gigantes do hard rock e do heavy metal fizera com que a atmosfera se tornasse imensamente roqueira no Rio de Janeiro e no Brasil da época.

A rede Globo chegara a fazer uma matéria jornalística explicando o fenômeno dos metaleiros, algo até então desconhecido ao grande público. A icônica "mão chifrada" ganhava cada vez mais as ruas do país, meio vaga e fraca, é verdade, mas fora feito.


Mesmo as atrações não-rock eram extremamente relevantes e categóricos, sobretudo os oriundos de estilos correlatos como o jazz de Al Jarreau e George Benson (que fizera uma jam inesquecível com Ivan Lins), o pop folk romântico de James Taylor, os emergentes do rock brasileiro, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso e até mesmo os medalhões da MPB, como Gilberto Gil, Rita Lee e a própria Baby com seu Pepeu. Era difícil achar algo fraco ali.

Mas, definitivamente o dia 19 supracitado fora o que representara todo o espírito do festival à época. Uma pena não ter se encaixado o Iron Maiden (que só tinha agenda disponível para o dia 11/01/85) e o maravilhoso Queen, que já haviam se apresentado e encantado em duas noites pregressas. Quem sabe até o Yes, trazendo-os da última para a penúltima noite para tudo ficar completo.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

As 5 maiores cantoras do metal, segundo o canal "Tomar uma para falar sobre"


O jornalista Iúri Moreira e o publicitário Rafael Araújo discorreram em vídeo sobre suas preferências no âmbito das vozes femininas dentro do metal.

Confira no player abaixo e opine nos comentários:

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Regis Tadeu: Metallica e o meet and greet que fugiu do bom senso

Quem não gostaria de ter aquele momento antes ou depois dos shows de seus artistas e bandas prediletos, de poder conhecê-lo pessoalmente, cumprimentar, pegar um autógrafo, trocar umas palavras e registrar o momento com uma foto?

Até os anos 80, por exemplo, havia uma certa expectativa a cada show para tentar saber se o artista receberia ou não os espectadores de seus shows nos camarins, após o fim dos mesmos.

Isso ocorria com mais frequência entre os artistas da MPB à época. Me lembro bem quando minha família teve a chance de falar com o cantor e compositor Belchior após um show dele no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. E ele fora de uma gentileza ímpar.

Noutra ocasião, em 2012, tive a honra de conversar rapidamente com o incrível Marcelo Nova, eterno líder do Camisa de Vênus, nos bastidores, momentos antes de sua apresentação em Campo Grande-MS.

É claro que isso tudo depende muito do tamanho da então popularidade do artista. É óbvio que um Roberto Carlos seria esmagado pela multidão se simplesmente abrisse as portas de seu camarim livremente para todos.

Com o tempo, empresários e artistas viram que "opa, isso pode ser uma ótima oportunidade financeira", e criaram o famigerado "meet and greet", algo como "encontre e contemple" o seu ídolo, onde pagando bem, que mal tem, não é mesmo?

Pois é, as bandas e artistas começaram a vender as suas "gentis presenças".

E claro, quanto maior o tamanho do artista no momento, simbora cobrar mais pelo meet and greet, podendo chegar até a cifras estratosféricas em pacotes mais recheados de "regalias", na melhor (ou pior) política do "a gente lhe trata conforme o tamanho de seu bolso.

Pois é, as bandas e artistas começaram a vender as suas "gentis acolhidas". Só que também por ene vezes isso remete o fã a roubadas e desilusões.

A fim de ilustrar tal assunto, adentremos na recente polêmica após a divulgação dos pacotes do meet and greet do Metallica para as suas apresentações no Brasil em 2020.

E  ninguém melhor para comentar essa questão do que o sempre sincero jornalista Regis Tadeu, que você pode conferir no player abaixo:

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Pink Floyd: Campanha "Gilmour, toque mais Barrett"

Na década de 90, durante a turnê que originara o CD/DVD "P.U.L.S.E"., o Pink Floyd, então capitaneado por David Gilmour, trouxera de volta aos ouvidos dos fãs floydianos a canção "Astronomy Dominée", escrita pelo criador da banda, Syd Barrett, e que abre o álbum de estreia do grupo, "The Piper At Gates of Dawn" (1967).

Há 17 anos, o guitarrista voltou a lembrar de Barrett nos palcos, executando ao vivo as canções "Terrapin" e "Dominoes", ambas da curta, porém ótima "carreira solo" de Syd, de seus álbuns "The Madcap Laughs" (1970) e "Barrett" (1970), respectivamente. Elas aparecem no DVD "David Gilmour in Concert"

As faixas "Astronomy Dominée" e "Dominoes" voltariam a surgir nos setlists de David Gilmour em 2005, registrada como bônus do CD/DVD "Remember That Night" (2006) e a primeira ainda seria incluída no CD/DVD "Live in Gdańsk" (2008) e em seus shows da turnê mundial do álbum "Rattle That Lock", findada em 2016.

Também em "Remember That Night" (2006), "Arnold Layne", primeiro single do Pink Floyd, de autoria de Syd Barrett, ganhara uma nova versão ao vivo, cantada conjuntamente por David Gilmour e seu ilustríssimo convidado, David Bowie, além da canção ter sido tocada também em outra noite registrada também no Royal Albert Hall, local de gravação do DVD, desta vez com Richard Wright nos vocais.

Por fim, "Dark Globe", que também integra "The Madcap Laughs" (1970), aparecera como bônus do CD/DVD "Remember That Night"

Pois bem, ao todo temos cinco canções de Syd Barrett que ganharam releituras em tempos recentes, sendo duas do próprio Pink Floyd e três de seus álbuns solo.

Pois bem, considerando o fato de que o baterista Nick Mason montou a banda Saucerful of Secrets para executar as canções da fase pré-"The Dark Side of the Moon", que inclui algumas canções de Syd Barrett nos setlists e que David Gilmour já admitira que pensa em lançar mais um álbum e até sair em uma possível vindoura turnê, venho por meio deste post sugerir ao ilustre guitarrista que considere gravar e/ou executar ao vivo, mais canções de Syd Barrett, quer seja de suas meteóricas fases no Pink Floyd ou solo, podendo inclusive, quem sabe, fazer um álbum inteiro de tais releituras.

Sendo assim, a Confraria Floydstock lança hoje (13/08/2019) a Campanha "Gilmour, toque mais Barrett" e convida os fãs do Pink Floyd, David Gilmour e em especial de Syd, para engrossarem o coro e darem suas sugestões de quais canções poderiam ser relembradas.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Arquivo Free Four: Grace Slick e a sua obra de arte chamada "Manhole"


Atendendo ao pedido do nosso grande patrono, Andre Floyd, hoje vou dedicar este espaço ao álbum de estreia da carreira solo de Grace Slick.

Indiferente ao argumento de que eu ainda estava atrás do coelho branco de "Surrealistic Pillow", segundo álbum do Jefferson Airplane e estreia de Slick na banda, e não conhecia muito mais sobre o assunto, o André garantiu que não me faltaria inspiração pra escrever ao ouvir "Manhole"(1974).

Meu primeiro contato com Grace Slick se deu por conta do excelente "Fear and Loathing in Las Vegas", uma bad trip protagonizada por Raoul Duke (Johnny Depp, na pele do Jornalista "gonzo" Hunter S. Thompson) e seu advogado, vivido por Benicio Del Toro.

Quem quiser saber mais, aliás, sobre as origens reptícias do personagem Rango, vai se esbaldar com as ultrarreferências neste filme.

Pois Dr. Gonzo, o advogado, no ápice de um barato - na sucessão de delírios quimicamente induzidos que resume a trama — tipicamente trajado (para uma audiência judicial) dentro de uma banheira cheia de água suja e outros detritos, suplica ao seu cliente que mergulhe o gravador quando a música atingir ”aquela nota fantástica, quando o coelho arranca a própria cabeça a mordidas”.

A música em questão é o acid-bolero "White Rabbit", hino maior da contracultura, que Grace Slick compôs para a Great Society e, ao lado de "Somebody to Love", tornou o Jefferson Airplane e a cena psicodélica de São Francisco num fenômeno pop.

Se houvesse uma versão em audiobook para a Experiência Psicodélica*, definitivamente Grace Slick deveria narrá-Ia, com sua voz poderosa de valquíria ecoando pelas recém-desbravadas dimensões da mente e embalando os viajantes incólumes em seu retorno aos portões da consciência.

Da mesma forma - aliás, como bem frisado pelo Sr. Floyd, se existe um representante do sexo feminino apto a ombrear os megalomaníacos que o fetiche por túnicas de lantejoulas relegou à antessala das grandes filarmônicas*, esta é Grace Slick, com sua perfeita noção sobre as pílulas que te fazem crescer (e diminuir também, pelo menos durante os exasperantes solos de teclado).

Com efeito, a segunda faixa, "Theme from the Movie ”Manhole”, é uma suíte folk-prog com um quarto de hora perfeitamente equilibrado entre passagens de alta tensão dramática e momentos de introspecção, muito embora a fluidez da composição não sacrifique a natureza rebelde e a irreverência de Grace Slick.


Mas são os bastidores do filme para o qual foi encomendada (a canção Jay e o blues Better Lying Down também integram a trilha) a nota mais trágica ligada à produção deste álbum.

Como em Citizen Kane*, que arruinou a reputação de Orson Welles, aqui também a vida inspirou (e superou) a arte.

Tratando-se de um astro do rock, contudo, quanto mais grotescos os fatos envolvidos maior brilho eles acrescentam a lenda...

E quilos à mulher, no caso, em virtude do abalo psicológico. Parece que Grace Slick não deu ouvidos às instruções da lagarta azul afinal, e jamais recuperou a forma original.

Slick era amante do ator e diretor Juan “Abe” A. Mozart (um espanhol judeu radicado nos Estados Unidos) à época das filmagens.

Grace contracena com Abe no papel de sua filha, com quem a personagem rompe quando a casa cai* - para fugir de uma influência dramática e autoritária – encontrando abrigo fora da cidade, onde um grupo de jovens vive em comunidade.


Durante as filmagens, porém, o diretor veio a apaixonar-se pela atriz que interpretava a madrasta de Grace, a também americana Kim Novak (com quem Abe viria a se casar, apesar de tudo). Ambos foram flagrados no quarto do apartamento de Abe por Grace – durante a festa de lançamento do filme – que encerrou a tragédia “edipiana” carregando nas mãos não os próprios olhos, mas as gônadas decepadas de Abe.

Viver na própria pele este enredo tétrico não impediu que o ambicioso diretor adaptasse o roteiro (o título foi alterado para "Manhood") para incluir seu próprio revés com outra atriz no lugar de Grace, que cumpria uma pena atenuada em função da forte emoção que guiou seu ato.

Embora inicialmente tenha optado pela filmagem integral do episódio, Abe não conseguiu revivê-lo até o fim, e a alguns instantes do desfecho ouviu-se – nos arredores do estúdio número cinco da Cinecittá* de Roma – um aflito e distinto CUT!

Reviver por anos aquela cena acabou funcionando como uma catarse com efeitos terapêuticos para Abe, que acabou sendo expulso na estreia da adaptação que Andrew Lloyd Weber fez para um musical baseado no filme ao tentar editar por conta própria o clímax de seu trauma com um brado ensurdecedor, vociferado no auditório no Royal National Theatre, em Londres.

*O guia de Timothy Leary baseado no Livro Tibetano dos Mortos, para orientar neófitos na expansão da mente.
*Ou como Zeca Jagger (Ezequiel Neves) qualificou o rock sinfônico: “música de penteadeira de bicha”.
*Acaso ou não, outras referências à obra de Orson Welles se podem identificar no desenlace da trama.
*”The roof is gone”, recita Slick no tema musical.
*Onde o segundo roteiro foi filmado, distante do alvoroço provocado em Hollywood por conta da primeira versão.


Texto do confrade Renato Azambuja, postado originalmente no saudoso blog Free Four em 20/03/2012.

Tracklist:

1. "Jay" Grace Slick Grace Slick2. "Theme from the Movie Manhole"
3. "Come Again? Toucan"
4. "It's Only Music"
5. "Better Lying Down"
6. "Epic No. 38"

terça-feira, 16 de julho de 2019

Regis Tadeu: Quem realmente foi João Gilberto. Assista


De todos os vídeos de seu recente canal no Youtube, provavelmente este possa ter sido o melhor, devido à importância e riqueza de detalhes técnicos que o jornalista e crítico musical Regis Tadeu discorrera a respeito do agora saudoso violonista, cantor e compositor João Gilberto, um dos maiores nomes da música, não somente brasileira, mas mundial.

Assista no player abaixo:

sexta-feira, 5 de julho de 2019

King Crimson: em "Epitaph", aprendemos que o som mais triste pode ser o mais lindo

Capa do Boxset quádruplo ao vivo "Epitaph"

Não há como negar ao ouvirmos a canção "Epitaph", que integra o debut do King Crimson, "In the Court of the Crimson King", prestes a completar seu cinquentenário em outubro próximo, que se trata de uma canção que traz uma melodia extremamente tristonha e uma letra e temática não menos desesperançosa.

Porém, inegável também é a beleza lírico-poética que tal música possui em sua atmosfera talvez seja uma das coisas mais arrepiantemente envolventes compostas no século XX.

Ouvindo-a com total atenção e concentração, é impossível não ser completamente absorvido por ela, num processo de climatização gradativa, que ganha força a cada brado inicial do refrão "Confusion will be my epitaph" ("Confusão será o meu epitáfio"), bem como no lamento em seu final "But I fear tomorrow I'll be crying" (Mas temo que amanhã estarei chorando), tomando o ouvinte por completo.

Grande parte dessas sensações advêm dos sons extremamente melódicos emitidos pelo icônico mellotron, um instrumento de teclas que produzia um timbre diferenciado, a grande sacada do líder da banda Robert Fripp.

Outro destaque é a letra de Peter Sinfield, uma poesia extraordinária, uma ode à desesperança.

E claro, o canto aveludado-angustiante de Greg Lake, com uma interpretação repleta de amplo feeling, capaz de remeter o ouvinte à empatia completa pelo que ouve.

Todos esses ingredientes somados e harmonizados resultam numa obra de grande poder contemplativo, que rasga toda a indiferença durante a sua audição.

Sinta-a no player abaixo:

Capa do álbum "In the Court of the Crimson King"

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Regis Tadeu: "Van Halen Virou uma Palhaçada". Assista ao novo vídeo

Desde outubro último, muito tem se especulado a respeito de uma suposta vindoura turnê do Van Halen com sua formação clássica, ou seja, contando com o vocalista David Lee Roth, o guitarrista Eddie Van Halen, o baixista Michael Anthony e o baterista Alex Van Halen.

Regis Tadeu comenta a bica que Rob Halford deu no celular de fã em show do Judas Priest

Para desmistificar o que propriamente já se tornara uma novela, o jornalista e crítico musical Regis Tadeu discorreu sobre o tema em seu novo vídeo, disponibilizado em seu canal oficial no Youtube, que você pode conferir no player abaixo:


Regis Tadeu: Assista ao vídeo "Aposto que você não Sabe" sobre o Pink Floyd

segunda-feira, 17 de junho de 2019

AC/DC: "precisamos mesmo de um novo disco?" Igor Miranda comenta, assista


De uns tempos para cá muito tem se falado que o AC/DC estaria gravando um novo álbum de inéditas, que desencadearia uma nova turnê, marcando a volta do vocalista Brian Johnson e do baterista Phil Rudd.

Sobre esse tão falado suposto álbum e a necessidade (ou não) deste, o jornalista musical Igor Miranda comentara em um vídeo de seu novo canal no Youtube. Confira no player abaixo: