Confraria Floydstock: Por onde começar com King Crimson, a banda mais inventiva do Prog

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Por onde começar com King Crimson, a banda mais inventiva do Prog


Até este mês, o King Crimson estava entre os últimos resistentes ao serviço de streaming da era do rock clássico. E isso fazia sentido. Robert Fripp declarou que seu pioneiro grupo prog não é simplesmente uma banda, mas também uma "maneira de fazer as coisas". Muitas vezes, essa maneira de fazer as coisas envolve resistir ao caminho óbvio - às vezes à custa da estabilidade da banda. Os últimos 50 anos do Crimson foram definidos pela inquietação, graças a uma formação em constante mudança e a um som que está sempre buscando (normalmente através de melodias e assinaturas de tempo singulares). Em uma música, eles são um intrincado trio de rock com riffs tritonais; em outra, eles são um suntuoso grupo folk com flautas e letras fantásticas. Combine essa tendência com seus inúmeros projetos derivados (referidos como ProjeKcts), lançamentos colaborativos e conjuntos de caixas absurdamente elaborados, e você terá um dos corpos de trabalho mais intimidantes da história do rock. Mas agora que a maioria de seu catálogo finalmente chegou ao Spotify, à Apple Music e mais, nunca foi tão fácil entrar para a Corte do Rei Carmesim. Comece com estes seis álbuns e explore o resto no seu próprio ritmo.

A Estréia Clássica: "In the Court of the Crimson King" (1969)



O álbum de estréia do King Crimson apresenta seu rosto mais reconhecido. Está lá na capa - a pintura icônica de Bary Godber, mas também na agitada e sinfônica música. Canções como "21st Century Schizoid Man" e "The Court of the Crimson King" não perderam nada de sua energia paranóica, e baladas como "I Talk to the Wind" e "Moonchild" permanecem entre seus mais memoráveis lados-B. Os sons definidores do disco - o Mellotron de Ian McDonald e os vocais apaixonados de Greg Lake - logo seriam descartados, quando Fripp começou a experimentar mais. Mas levaria anos para o resto do mundo alcançar a visão de "In the Court of the Crimson King".

Se você gosta disso, considere ouvir: o álbum seguinte do King Crimson em 1970, "In the Wake of Poseidon". Essencialmente recria a fórmula deste álbum, em diferentes graus de êxito.

O Desvio Jazzístico: "Islands" (1971)



O título é apropriado: essas faixas jazzísticas e acompanhadas de cordas estão um pouco desconectadas do corpo de trabalho maior do King Crimson, mas vale a visita. Seu último álbum a apresentar as letras de Peter Sinfield, "Islands" é um trabalho de transição, mostrando uma banda a caminho de um som mais forte e mais ousado. Embora esse exercício de fusão do jazz tenha sido uma fase breve, também foi essencial. As lindas canções de contos do álbum, como a faixa-título, e as partes de saxofone psicodélico, cortesia de Mel Collins, mostram o lado mais escapista da banda. Um trabalho menor para King Crimson, "Islands" teria sido o destaque de muitas outras pretensas discografias.

Se você gosta disso, considere ouvir: o box "Sailors Tales", de 2017. Ele reúne todos os shows ao vivo desta época, construindo um santuário de colecionador a partir do que parecia uma curiosidade.

O Renascimento Eletrizante: "Larks’ Tongues in Aspic" (1973)



O álbum marcou o início da formação mais consistente do King Crimson nos anos 70. Com a ajuda do baixista/vocalista John Wetton e do virtuoso baterista Bill Bruford, juntamente com o violinista David Cross e o percussionista Jamie Muir, Fripp conseguiu conjurar um som mais profundo e sombrio. "Larks’ Tongues in Aspic" abrange desde destaques relativamente simples, como “Easy Money” até sets com influências clássicas como a faixa título em duas partes. Com isso, surgiu um período da carreira do King Crimson em que a composição e a improvisação ao vivo compartilhavam a mesma exposição. Essencialmente, "Larks’ Tongues in Aspic" é o som de uma banda que descobre como incorporar o caos ao seu redor às próprias músicas.

Se você gosta disso, considere ouvir: as gravações ao vivo desta época. Elas são tão essenciais quanto e não há escassez de material para escolher. Do álbum seguinte, parte ao vivo, "Half-Starless and Bible Black" a enormes conjuntos de caixas como "The Road to Red", você pode ouvir o King Crimson evoluindo a cada apresentação.

O final magistral: "Red" (1974)



Para um ato frequentemente definido por sua ousadia irrefreável, "Red" é uma janela para o lado mais elegante do King Crimson. Neste ponto, a banda era essencialmente um trio - Robert Fripp na guitarra, Bill Bruford na bateria, e John Wetton no baixo e vocal - e suas músicas eram ineditamente diretas, tanto musicalmente quanto poeticamente. A faixa-título é um monólito instrumental de proto-metal, e a balada imagética “Starless”, com 12 minutos de duração, aponta diretamente para o coração, com a entrega vocal pungente de Wetton e o solo de guitarra de construção lenta de Fripp. Enquanto a maioria dos álbuns do Crimson são notáveis por sinalizar renascimentos, "Red" é único no sentimento de um grand finale: a conclusão emocionante de meia década de trabalho, sem uma nota desperdiçada. É uma das obras-primas inegáveis do King Crimson.

Se você gosta disso, considere ouvir: o trabalho de Fripp fora do Crimson. De suas obras-primas colaborativas com Brian Eno (1973 ("No Pussyfooting") e "1975's Evening Star"), ao ousado álbum pop-art que ele produziu para Daryl Hall ("Sacred Songs" de 1980), a ambição de Fripp o manteve ocupado fora do mundo progressivo que ele inspirou.

O Retorno Oitentista: "Discipline" (1981)



Depois de um hiato de sete anos durante a segunda metade dos anos 70, o King Crimson marcou seu retorno com uma nova formação, um novo som e, se fosse conforme o desejo de Fripp, um novo nome. "Discipline" era para ser o codinome deste empreendimento, apresentando novos recrutas, Adrian Belew na guitarra e vocal e Tony Levin no baixo e Chapman Stick. Mas depois de um ensaio inicial, ficou claro que não se tratava de um mero projeto paralelo, era o futuro do King Crimson, com um complexo som new wave que fazia imaginar se os Talking Heads haviam se encontrado na escola de música em vez da escola de arte. "Discipline" foi o primeiro em um trio de lançamentos que encontrou a banda flertando, embora hermeticamente, com o mundo pop na forma de videoclipes e remixes dance. Centrado na criativa interação de guitarras entre Fripp e Belew, o material sempre cerebral provou que o DNA de Crimson poderia sustentar até mesmo a mais dramática reinvenção.

Se você gosta disso, considere ouvir: "Absent Lovers: Live in Montreal". A encarnação dos anos 80 do Crimson fez seu melhor trabalho em concerto, e este lançamento retrospectivo captura seu último show da década, realizado em 1984.

A grande visão geral: "THRAK" (1995)



"THRAK" consegue fazer exatamente o que você não espera que um álbum do King Crimson faça: soar como King Crimson. O único álbum de estúdio completo dos anos 90 é seu trabalho mais auto-referencial ("Dinosaur" cita o riff de "Cirkus" de 1970, enquanto "VROOM" retorna à faixa-título de "Red"). Também está entre as mais acessíveis. Adrian Belew é um fã escancarado dos Beatles, e essas músicas mostram o artesanato pop espreitando os melhores trabalhos de Crimson, desde o psicodélico “Walking on Air” ao filosófico “People”. "THRAK" também foi uma reinvenção estrutural, introduzindo a formação “duplo trio" do grupo, com dois de cada instrumento. Maior em som e alcance, é o álbum prog ideal de final de carreira.

Se você gosta disso, considere ouvir: "The Power to Believe", de 2003, que é o mais recente álbum de novos materiais do King Crimson. Ele continua no caminho do "THRAK", liderado pelo estilo vocal nervoso de Belew e pelos motivos familiares de toda a discografia da banda.

Traduzido pelo confrade Renato Azambuja via Pitchfork

Um comentário:

  1. falar de king crimson e sem comentario , fripp com o crimson e sensacional maS INFERLIZMENTE a midia prefere floyd genesis e assim por diante , eles confudem apertar uma tecla e dar 2 acordes ai vira progressivo outra banda e o van der graaf o yes musicos excelentes mas crimson e crimson

    ResponderExcluir