Confraria Floydstock: Deep Purple - "Burn": "Não pensem que porque trocamos de integrantes perdemos a mão e a competência"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Deep Purple - "Burn": "Não pensem que porque trocamos de integrantes perdemos a mão e a competência"


O contexto:

Em 1974 o hard rock era um dos sub-gêneros do rock que dominavam o mundo.

Entre as principais bandas dominantes estava o Deep Purple, que atingira definitivamente tal Olimpo com o emblemático álbum de estúdio "Machine Head" (1972), seguido do disco ao vivo desta turnê o icônico "Made in Japan" (1972), até hoje citado em qualquer lista dos melhores registros ao vivo do rock.

Tudo parecia perfeito e a fórmula encontrada seria obviamente duradoura, garantindo um longo período de sucesso, era só não mexer no que vinha dando certo.

Todavia uma banda é feita de músicos, que são pessoas, que são dotadas de algo chamado "ego".

E isso foi o que começara a determinar uma mudança nas marés do Deep Purple, já a partir do álbum seguinte "Who Do You Think You Are" (1973), onde o grupo já tinha atingido seu ápice no disco anterior, os egos com isso, ficaram mega-inflados e claro, assim imersos em ene divergências conceituais, surgiram e cresceram os primeiros conflitos e embates entre o vocalista Ian Gillan e o guitarrista Blackmore, que acabou por culminar na saída do cantor, que recebeu a "solidariedade" do baixista Roger Glover, deixando o grupo também.

Seria talvez, somente uma questão de trocarem seis por meia-dúzia, mas o problema todo era que "seis" colocar no lugar do "meia-dúzia" chamado Ian Gillan, conhecido como "The Silver Voice" (a voz de prata), já considerado um dos maiores vocalistas de rock daquela década.

Uma vez que a carência era dupla, baixo e voz, pensou-se no nome de Glenn Hughes, exímio cantor e baixista do trio Trapeze, que de fato aceitou o convite, afinal tratava-se de se subir um enorme degrau na carreira, um baita emprego, já que ele estava entrando para um gigante do hard rock mundial.

Porém, a figura de Ian Gillan como frontman, apenas cantando, era muito forte e os membros do grupo não queriam arriscar substitui-lo por um acumulador das funções baixo e voz. Decidiram então que Hughes seria baixista e até cantaria, mas o lugar do microfone principal deveria ser ocupado por outro frontman e aí sim arriscaram: definiram que o até então praticamente desconhecido David Coverdale assumiria o posto do vocalista principal.

O álbum:

Feita a permuta era hora do barco púrpuro seguir em frente e isso implicaria obviamente em um novo álbum de estúdio seguido de sua turnê de divulgação.

E em novembro de 1973 o novo quinteto entrava nos estúdios da EMI em Montreux para gravar o álbum de estreia de David Coverdale e Glenn Hughes no Deep Purple: "Burn"

Talvez querendo mostrar ao público e crítica algo do tipo: "Não pensem que porque trocamos de integrantes perdemos a mão e a competência", o disco abre com a faixa-título sendo uma das maiores e melhores canções-pancadas de todo o hard rock em todos os tempos, desde seus riff, o duo vocal entre seus dois novos cantores, até os espetaculares solos alternados dos teclado de Jon Lord e a guitarra de Ritchie Blackmore.

Não sinta nenhuma culpa no coração se passar pela sua cabeça que a canção "Burn", possa ser melhor que "Smoke on the Water", maior sucesso da banda até então, quiçá até os dias de hoje, pois isso não seria nenhum absurdo.


Gente nova, ideias e essências novas. Glenn Hughes não substituira apenas o baixo de Roger Glover. Além de dividir os microfones com David Coverdale, ele trouxera consigo toda a sua paixão pelo soul-funk, dando ao Purple uma dose apimentada de groove, pingado nas canções de "Burn" (e isso cresceria ainda mais no álbum seguinte, 'Stormbringer").

Tanto no canto, como na nova "cozinha" com o baterista Ian Paice, esse novo ingrediente ficara perfeitamente perceptível em faixas como "Mistreated", "Might Just Take Your Life" e "You Fool No One"

Assim todos respiraram aliviados. Banda, crítica e público logo viram que o Deep Purple, apenas trocara de pele, para emergir em uma nova, mais brilhante e púrpura, a Mark Line III, que logo iniciou a turnê de "Burn", mostrando pela primeira vez e oficialmente os seus novos integrantes à Europa e do outro lado do Atlântico, á América.

Tracklist:

1 - Burn
2 - Might Just Take Your Life
3 - Lay Down, Stay Down
4 - Sail Away
5 - You Fool No One
6 - What's Goin' On Here
7 - Mistreated
8 - "A" 200

A Banda:

David Coverdale - vocal principal
Ritchie Blackmore - guitarra
Glenn Hughes - baixo, vocal
Jon Lord - teclados
Ian Paice - bateria



Nenhum comentário:

Postar um comentário