Confraria Floydstock: Em Heavy Horses o Jethro Tull legitima o rock folk-progressivo

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Em Heavy Horses o Jethro Tull legitima o rock folk-progressivo


Na segunda metade da década de 70 o Jethro Tull já era um gigante do prog rock, identificado pelos grandes álbuns conceituais do estiilo, "Aqualung", "Thick As A Brick" e "A Passion Play".

Dada a euforia e frutos do sucesso do frontman Ian Anderson e cia, os anos seguintes marcaram uma maior atmosfera intimista, já cantada no álbum de 1976, "Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die!", onde o homem que outrora se jogava nos braços da esbórnia do universo do rock and roll, agora pisava no freio e começava a levar uma vida um pouco mais pacata.

Pois bem, o que se dera foi uma sequência de álbuns do Jethro Tull mergulhados na folk music e olhando para os aspectos mais prementes da vida humana, tais como os problemas que o homem infere à natureza, tema principal do álbum "Heavy Horses", lançado em 10 de abril de 1978.

Obviamente que ao ouvir este álbum o ouvinte não percebe uma mudança brusca do prog rock para o folk rock. Ao contrário, elementos progressivos permeiam toda a obra, tendo picos solenes como na própria faixa-título, belíssima por sinal, a mais longa do trabalho.

"No Lullaby" é outra das faixas que remetem o apreciador ao Jethro Tull de outrora, canção que caberia perfeitamente no álbum "Aqualung", por exemplo.

"Moths" é uma canção que dá vontade de ouvir para sempre.

Tudo é muito bem postado e equilibrado em "Heavy Horses". Todos os músicos dessa formação são excelentes. Temos o gigante mas por muitos subestimado, Martin Barre nas seis cordas de sua guitarra, os tecladistas John Evan e David Palmer, aqui muito mais cuidadores de uma harmônica bem elaborada do que feitores de solos nababescos, a cozinha feita pelo baixista John Glascock e o baterista Barriemore Barlow, bem destacada na canção "Journeyman" por exemplo, além da sempre genialidade do mestre Ian Anderson, que conseguia constantemente mudar sem mudar sua banda, fazendo o grupo entrar numa nova fase sonora e conceitual sem nunca deixar de parecer ser o Jethro Tull que todos apreciavam.

Em suma, "Heavy Horses" nos mostra que a enorme qualidade musical pode ser buscada nas inovações sem se perder nada.

Um álbum que se inicia num mergulho folk, nas duas primeiras canções, se volta com maior ênfase ao prog e assim se alterna até o seu fim, sendo delicioso de se ouvir, podendo e devendo até ser apreciado sem a menor moderação por vezes seguidas.

Vá por mim, as canções de "Heavy Horses" deixarão o seu dia mais feliz.



Tracklist:

"...And The Mouse Police Never Sleeps" - 3:11
"Acres Wild" - 3:22
"No Lullaby" - 7:54
"Moths" - 3:24
"Journeyman" - 3:55
"Rover" - 4:59
"One Brown Mouse" - 3:21
"Heavy Horses" - 8:57
"Weathercock" - 4:02
"Living in These Hard Times" – 3:10

"Broadford Bazaar" – 3:38

A Banda:

Ian Anderson - vocais, flauta, mandolim, violão
Martin Barre - guitarra
Barriemore Barlow - percussão, bateria
John Evan - órgão, piano
David Palmer - teclado e orquestrações 
John Glascock - baixo

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