Confraria Floydstock: Letras comentadas: Roger Waters - Sexual Revolution

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Letras comentadas: Roger Waters - Sexual Revolution

Roger Waters e sua segunda esposa, Carolyne Christie. (Atrás, Eric Clapton E Pattie Boyd)

A velha conhecida citricidade da poesia de Roger Waters, o eterno gênio floydiano fora algo que começou a ganhar cada vez mais terreno desde os tempos do nababesco álbum do Pink Floyd "The Dark Side of The Moon" quando este escrevera todas as letras, sempre tratando com um teor denso a vida no mundo urbano.

Em seu primeiro álbum solo pós o seu "corte final" no Pink Floyd, Waters se cercou de músicos tarimbadíssimos como ninguem menos do que o deus Clapton na guitarra e o mago dos sopros, David Sanborn no saxofone.

Mais a maior riqueza do álbum "The Pros and Cons of Hitch Hiking" (1984) era mesmo a sua parte escrita, toda dentro de músicas que simulavam um sonho noturno em tempo real, com duração de pouco mais de quarenta minutos.

A temática perpassa pelos medos e angústias do cantor que teme em tempo integral perder a sua companheira num mundo dominado pelo consumo e mercantilismo das vaidades.

Em "Sexual "Revolution", talvez a canção mais intensa deste trabalho, Waters nos mostra num primeiro momento um pujante desejo de junto com sua mulher, fazerem o mundo arder pelas vias da paixão, mas perceba que no decorrer da letra, sua auto-estima vai diminuindo o que o leva a tentar se proteger de uma iminente perda partindo para uma espécie de contra-ataque, esquivando-se de um suposto tom acusatório dela ("não aponte o dedo para mim") e finalmente, qando tudo poderia parecer não ter como piorar, ele acorda febril e desesperado de seu sonho que já havia se tornado um pesadelo e sua amada sarcasticamente o "consola" dizendo que fora só um pesadelo e que ainda não acabou, enquanto este já delirava vendo ela colocar seu cão na cama entre duas metades de pão.

Aquele tipo de pavor de perder algo que nos leva de fato a perder esse algo.

Em se tratando de Roger Waters, sabemos que a questão relacionamento nunca foi o seu forte, tendo rompido acidamente com Judith Trim em 1976 e à época deste álbum eles estava casado com Carolyne Christie da qual viria a se separar em 1992, casando-se com Priscilla Phillips em 1993 até 2001e finalmente com Laurie Durning entre 2012 e o divórcio em 2015.

Logo pode-se supor que esta canção é repleta de auto-referências possivelmente oriundas até do campo subconsciente de nosso mestre floydiano, emanando seus mais profusos temores afetivos.

Ouça no player abaixo a canção "Sexual Revolution" e a seguir leia sua letra em inglês e português.


"Sexual Revolution"

"Hey... girl

Take out the dagger

And let's have a stab at the sexual revolution

Hey girl

Let freedom for all be our rallying call

Tomorrow lets make our new resolution

Yeah, but tonight lie still

While I plunder your sweet grave

And remember

Only the poor can be saved

Hey girl

As I've always said I prefer your lips red

Not what the good Lord made

But what he intended

Hey girl

Don't point the finger at me

I am only a rat in a maze like you

Only the dead go free

So... please, hold my hand

As we blunder through the maze

And remember

Nothing can grow without rain

(Thunder)

Don't

Don't point your finger at me

I awoke in a fever

The bedclothes were all soaked in sweat

She said, you've been having a nightmare

And it's not over yet

Then she picked up the doggy in the window

(The one with the waggly tail)

And she put him to bed between two bits of bread"

"Revolução Sexual"

"Ei garota
Tire a adaga
E vamos dar uma esfaqueada na revolução sexual
Ei garota
Deixe que liberdade para todos seja o nosso grito de
convocação
amanhã vamos fazer... nossa nova resolução
É, mas hoje deite aí
Enquanto eu saqueio sua doce sepultura
E lembre-se
Somente os pobres podem ser salvos
Ei garota
Como eu sempre disse que prefiro seus lábios vermelhos
Não o que o bom Deus fez
Mas o que ele teve a intenção de fazer
Ei garota
Não aponte o dedo para mim
Sou apenas um rato no labirinto como você
E somente os mortos se liberam
Portanto... favor segure minha mão
Enquanto saqueamos através do labirinto
E lembre-se
Nada cresce sem a chuva
(trovões)
Não aponte
Não aponte seu dedo pra mim
Acordei com febre
A roupa de cama encharcada de suor
Ela disse, "você teve um pesadelo
E ainda não acabou"
Então ela pegou o cachorrinho na janela
(aquele com o rabo que balança)
E o colocou na cama entre dois pedaços de pão."

Waters e sua última esposa, Laurie Durning.

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