Confraria Floydstock: Em Red o King Crimson mergulhou numa profusão de variedades sonoras do jazz ao hard

sábado, 25 de novembro de 2017

Em Red o King Crimson mergulhou numa profusão de variedades sonoras do jazz ao hard


Dentre as inúmeras formações do King Crimson, talvez a que possua maior legião de admiradores é a presente no álbum "Red" de 1974.

COMPRE NA AMAZON.COM /BUY AT AMAZON.COM

No ano anterior o King Crimson trocou seus elementos, permanecendo apenas Robert Fripp, mentor e líder do grupo. Trouxeram à tona um verdadeiro petardo "Lark's Tongue In Aspic", com uma concepção musical menos intricada, menos experimental, com maior força nas guitarras.

"Red" não possui o impacto do anterior, pois funciona como uma afirmação da sonoridade produzida pelo outro, naquele tempo, pós-fase inicial e ainda com muita originalidade. Vale ressaltar que as ideias musicais em ambos os trabalhos guardam estreitas semelhanças: inicia-se uma música instrumental com um arranjo pesado e tendo as músicas subseqüentes uma melodia desconcertante, alicerçada na suavidade e amargura dos vocais de John Wetton, como observamos em "Book Of Saturday" e "Fallen Angel".

A música de abertura que dá título à obra é uma das mais viscerais e cruas de toda a carreira da banda, com baixo, guitarra e bateria pegando pesado, lembrando o frenetismo hard produzido pelo Black Sabbath na mesma ocasião.

Na sequência temos um autêntico clássico do grupo, "Fallen Angel", que faz um anticlímax pungente em oposição à violência sonora de "Red", tudo nessa música é muito sutil, dos vocais, violinos e sax e ainda conta com guitarra chorada, que posteriormente Fripp repetiria em "Starless". A letra é de profunda melancolia: "Sick and tired blue wicked and wild / God only knows for long".

A terceira é "One More Red Nightmare" que na minha opinião é a que possui maior influência de John Wetton no seu escopo musical, já que é daquelas que combina com as músicas que o UK iria produzir ainda na década de 70 sob a batuta do vocalista. É genial, com destaque para Bill Brufford (monstrão... rs).

"Providence" é fundamental nesse trabalho, pois representa o experimentalismo que sempre envolveu a atmosfera da banda: é um jogo de improvisação, com o convidado David Cross tocando violino enquanto a guitarra cresce até dominar a música, acompanhado por uma bateria crescente, constante.

Os instrumentistas não se importam com harmonia em seu encontro, disparando notas entre si.
Por fim, segue o clássico maior de toda carreira do Crimson, nada mais que "Starless". A música é a mesma do álbum "Starless and Bible Black", lançado no mesmo ano, mas com uma improvisação diferente. Fripp como sua guitarra, em diferentes volumes de saturação, junto com o contrabaixo pesado de John Wetton. Ambos, com o teclado mellotron, criam várias camadas melódicas ao longo da música. Os solos são lentos, assim como o vocal, mas o encerramento não perde sua densidade, recebendo mais recheio do saxofonista Ian McDonald.

Com o lançamento de "Red", apesar do sucesso de crítica e público, o King Crimson pôs fim às suas atividades – um fim pretensamente definitivo –, na medida em que Fripp se encontrava desiludido com o mercado musical, e já apresentava planos de trabalhar com Eno. Suas palavras na ocasião foram muito contundentes: "I take full responsability for the decision... I felt it was time for King Crimson to come to an end" ("Eu assumo toda a responsabilidade pela decisão ... Eu senti que era hora de King Crimson chegar ao fim.") A banda terminaria, no entanto, retornando, com formação e musicalidade novas, na década de 80.

"Red" é obra obrigatória em qualquer casa de quem gosta da música de alta qualidade, seja apreciador de qual estilo for, até por representar uma profusão de variedades sonoras que trilham do jazz ao hard com imensa competência... um disco ideal pra “derrubar do cavalo” clichês pré-conceituosos em relação ao Rock Progressivo de “punkecas” sem instrução... hahaha...

Pelo confrade Marcos Filho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário